quarta-feira, 26 de novembro de 2025

 

: A troca de quarto que me salvou

Um rapaz esteve conosco no D.J.P. (Desafio Jovem Peniel) por um determinado tempo. Era considerado um bandido perigoso. Segundo ele, o ferro que carregava na perna era resultado de uma troca de tiros com a polícia. Lutamos para conduzi-lo a um novo caminho, mas ele decidiu voltar ao seu descaminho.

Um dia ele retornou ao Desafio pedindo ao obreiro que administrava o centro que lhe desse algum dinheiro para ajudar uma senhora idosa que o hospedava. O diretor me chamou e disse que eu deveria negar o pedido.

Expliquei ao rapaz que ele conhecia a realidade do D.J.P., sabia que vivíamos de doações de simpatizantes do ministério e que não tínhamos recursos para ajudar outras pessoas. (Também imaginávamos que a história não fosse verdadeira.)

Com um olhar frio, ele me ameaçou dizendo que um dia me encontraria sozinha na rua — e foi embora.

O Desafio estava situado em um bairro nobre do Recife, em uma casa bonita, pertencente a um empresário bem-sucedido. Eu dormia no segundo piso, em um pequeno e aconchegante quarto com uma janela que dava diretamente para o telhado de uma casa vizinha. Nunca imaginei que aquele telhado pudesse servir de ponte para um assaltante entrar no meu quarto.

Um dia, por pura providência divina, senti que deveria mudar de quarto. Havia outro, totalmente gradeado, voltado para a rua, e decidi ocupar aquele.

Naquela madrugada, o rapaz entrou no quarto que eu havia deixado, armado com um punhal. Acordou o obreiro — um jovem muito temente a Deus, tranquilo — e o ameaçou de morte. O obreiro apenas respondeu:

“Você está com o punhal… o que eu posso fazer?”

Depois de obrigá-lo a descer e aterrorizá-lo, foi embora, pois o seu alvo, na verdade, era eu.

 

Ele ainda voltou duas vezes. Em uma delas, fez o que quis, sem que ninguém lhe oferecesse resistência. Na segunda vez, eu estava sozinha na sala, escrevendo em um antigo birô, quando ele apareceu na janela e fez barulho para chamar minha atenção.

Naquele momento meu sangue ferveu e, tomada por uma coragem que não sei explicar, gritei:

“Olha aqui, seu cabra safado! Você vem aqui, apronta, e nenhum macho lhe oferece resistência… mas entre agora e veja do que é capaz uma fêmea!”

(Não tenho a mínima ideia do que eu seria capaz de fazer! Kkkkkkkkkkkk.)

Ele recuou covardemente, dizendo:

“Que é isso, Guiomar?”

E desapareceu. Nunca mais voltou.

“Em Deus, cuja palavra eu louvo; em Deus eu confio e não temerei. Que poderá fazer-me o simples mortal?” (Salmos 56:4)

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O PITBULL 

Morávamos no Janga, bairro de Olinda, à beira mar. Um dia saímos, eu e o meu marido para uma caminhada na praia. Estávamos parados na areia, quando vimos um dos pitbull de um vizinho vindo em nossa direção, como numa cena só vista em filmes. O cão parecia muito furioso. O pavor tomou conta de nós! Quando ele estava a poucos metros de distância, estendi um braço em direção a ele e lhe dei uma ordem que não lembro qual, mas sei que foi em o Nome de Jesus. Ele parou por um instante. No entanto, sentimos que ainda havia uma ameaça, foi quando ele voou em nossa direção, então com toda autoridade do Espírito Santo, eu lhe ordenei que parasse, e imediatamente ele parou. Apareceu então, uma empregada bem irresponsável que começou a chamá-lo pelo nome. Segundo soubemos depois, ela havia aberto o portão sem o mínimo cuidado; mesmo sabendo que a uma semana atrás, se não me falha a memória, ele havia matado violentamente, o cãozinho de uma senhora que passeava pela praia. 


“Eis que o meu Deus enviou o seu anjo, e este fechou a boca dos leões para que não me ferissem.” (Daniel 6.22)


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COLHENDO O QUE SEMEOU

Quando eu era missionária em uma determinada igreja, estava na sala de aconselhamento — onde atendia as pessoas que nos procuravam — quando chegou uma senhora com aparência profundamente desolada.
Entre lágrimas, ela desfiou seu triste rosário de dores: contou que o marido estava a abandonando por outra mulher e o quanto a vinha humilhando e machucando. Empatizei imediatamente com a dor daquela senhora.

Foi então que ouvi uma voz bem conhecida, clara e objetiva, ordenando-me:
“Pergunte a ela se conheceu esse homem quando ele era solteiro ou se entrou na família dele, destruindo-a.”

Olhei bem dentro dos olhos daquela mulher e fiz exatamente o que me foi mandado.
Ela respondeu, curta e diretamente:
“Não. Eu entrei e destruí.”

A mesma voz me disse:
“Diga a ela que está colhendo o que semeou.”

Alguém poderia me perguntar: “E o marido dela? Ele não sofrerá as consequências dos seus adultérios?”
Ele não me procurou. Mas, com certeza, Deus não tem dois pesos e duas medidas.

“Quem semeia a injustiça colhe a maldade; o castigo da sua arrogância será completo.” (Provérbios 22:8)

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 A FÉ DO NOSSO FILHO RENATO


Quando Renato era criança estudava no Colégio Agnes, em Recife. Como cristãos, o ensinamos a ter fé em Deus em todos as esferas da vida. No Agnes, todos os dias, ele participava com muita dedicação e fé dos cultos que eram ministrados pelas professoras. Nosso filho tinha convicção de que Deus era fiel e cuidava de nós!

 Todos os dias eu ou David ia buscá-lo no Agnes, após as aulas. Determinado dia, David viajou a uma cidade a pouca distância de Recife, prometendo ir buscar Renato, quando voltasse. Algo aconteceu que ele não pôde voltar no prazo certo e por algum motivo não me comunicou. Incomodada com o horário, decidi ir ao colégio que, graças a Deus, não ficava distante. Fui quase correndo porque o meu coração estava apertado vendo que eles não chegavam em casa. Ao chegar lá, avistei logo o Renato sentadinho em um banco do pátio, junto à uma auxiliar. Ele me olhou com um olhar que não vou esquecer nunca, profundamente triste... Abracei-o forte! Apresentei minhas desculpas a auxiliar e voltamos para casa. No dia seguinte, como de costume, convidei Renato para orarmos, antes de leva-lo ao Agnes. Ele decididamente me disse: “Não! Eu não quero que ore! ” Sem entender, lhe perguntei o motivo, ao que ele me respondeu: “Ontem Deus não cuidou de mim! ” Naquele momento, eu tive duas certezas: A primeira: que o meu filho tinha fé absoluta de que Deus ouvia as nossas orações; a segunda que eu precisava sabedoria para levá-lo a não perder aquela confiança e fé em Deus. Perguntei-lhe então se ele havia ficado, por algum momento, sozinho naquele colégio, ao que ele me respondeu que não. Perguntei também se algo mal lhe havia acontecido durante à espera. Novamente ele respondeu negativamente. Então lhe mostrei que Deus havia sim, cuidado dele através daquela auxiliar, que ficou ao seu lado até que um dos seus pais chegassem para buscá-lo. (Sabemos que muitas coisas tristes acontecem em colégios, mesmo os bem mais conceituados). Renato raciocinou rapidamente nos meus argumentos, e foi bem sensível me liberando para fazer a oração de costume.

 

“Até a criança mostra o que é por suas ações; o seu procedimento revelará se ela é pura e justa.” (Provérbios 20:11).

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O TRAUMA DE FOGOS

Estava conversando com uma amiga na pequena sala do nosso apartamento, enquanto nosso filho Renato e Bruno, meu sobrinho, agachados perto de nós, pareciam brincar inocentemente. Eu estava grávida do Daniel — não recordo de quantas semanas — mas lembro que minha barriga estava enorme; quando, de repente, ouvimos uma explosão ensurdecedora e vimos toda a sala se encher de fumaça.
Simplesmente os dois moleques haviam estourado uma bomba bem ali, aos nossos pés. Minha amiga foi embora desesperada, sem despedidas.

Fui ao meu ginecologista e contei o que havia acontecido. Ele me perguntou qual tinha sido a minha reação. Respondi que apenas tomei um grande susto, nada mais. Então ele me disse que o bebê havia sofrido somente o que eu havia sofrido — nada mais sério.

Finalmente chegou Daniel: forte, saudável, enchendo nossas vidas de alegria e gratidão a Deus. Renato, com seus quatro anos, acostumado com todas as atenções voltadas para ele, não teve problemas em dividi-las com o irmãozinho, apesar das previsões de uma amiga psiquiatra de que eu teria muitas dificuldades por causa dos supostos ciúmes de Renato.

O tempo foi passando, e comecei a perceber que, sempre nas épocas comemoradas com muitos fogos, Dani tomava a posição fetal e chorava como um bebê. Eu já havia esquecido totalmente o episódio da bomba. Com o passar do tempo, aquilo começou a me incomodar muito. Então recorri a Deus, que, como ninguém, conhece a nossa psique desde o ventre materno. Foi quando me lembrei do incidente.

Chamei Renato, contei a história ao Dani; em seguida, Renato o abraçou, pedindo-lhe perdão. Nós três oramos juntos. Daniel ficou totalmente curado daquele trauma — passando até a me “preocupar” com o gosto que ele adquiriu por soltar fogos junto com o Tito Baba (nome que ele deu ao Renato quando ainda era bem pequeno).

“O Espírito do Senhor está sobre Mim, porquanto enviou-Me para proclamar libertação aos cativos, para pôr em liberdade os oprimidos.” (Lucas 4:18).

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 SÓ ESPERANDO A SALVAÇÃO

Quando trabalhávamos no Desafio Jovem Peniel, em Belo Horizonte, um dos internos foi hospitalizado e fui visitá-lo. Enquanto eu estava sentada, notei no leito ao lado um senhor de idade avançada, coberto de fios e sondas, rodeado por monitores e aparelhos. Percebi que seu estado era grave, mas o que mais me constrangia era o olhar dele fixo sobre mim — e, por alguma razão, eu também não conseguia desviar o meu olhar dele. Sem saber o que fazer por ele, fui embora.

No entanto, aquele senhor não saiu da minha mente durante toda a noite e também pela manhã. Resolvi voltar ao Hospital Evangélico. Quando cheguei, ele continuava no mesmo leito, mas desta vez acompanhado de sua esposa. Assim que me viu, fixou novamente o olhar em mim. Então não tive dúvidas. Levantei-me e perguntei à esposa se eu poderia falar de Jesus para ele. Ela consentiu.

Quando comecei a falar sobre a morte de Jesus para perdão dos nossos pecados, aquele senhor começou a chorar compulsivamente. Assustada — sem saber se aquilo poderia prejudicá-lo — perguntei à esposa se eu deveria continuar. Ela respondeu:

Sim, minha filha! O problema dele é coração, e chorar vai lhe fazer bem!

Continuei, então, falando sobre o amor de Deus, que enviou Jesus para perdoar-lhe os pecados.

Como ele não podia falar, pedi que cerrasse ou abrisse os olhos a cada pergunta que eu fizesse. Então perguntei se ele tinha certeza de que, ao partir desta vida, iria morar com Jesus nos céus. Ele respondeu negativamente. Perguntei se desejava arrepender-se dos seus pecados e pedir perdão. Chorando, respondeu que sim. Pedi-lhe que repetisse a oração que eu faria. Entre soluços, ele orou comigo.

Ao terminar, perguntei se estava em paz e se tinha certeza de que, ao morrer, estaria para sempre com Jesus. Ele cerrou os olhos com uma paz perfeita refletida em seu semblante.

Eu havia ido ao hospital acompanhada de um colega da Peniel. Naquele quarto havia também outro senhor, em um leito mais afastado, e ele não parecia estar em situação grave. Ao ouvir que eu estava pregando, chamou meu colega e pediu que ele também lhe explicasse o que eu estava dizendo ao seu vizinho de quarto. Meu amigo o atendeu prontamente, apresentando-lhe o plano de salvação. Aquele homem recebeu a Palavra com o coração totalmente aberto, aceitando Jesus como Salvador.

Ficamos extasiados com o amor de Deus — Sua longanimidade, bondade e misericórdia para com aquelas vidas. Logo depois que saímos do hospital, aqueles dois filhos do Altíssimo foram levados para a glória eterna!

“Mas Deus, que é rico em misericórdia, por causa do seu grande amor com que nos amou, mesmo estando mortos em delitos, nos fez vivos juntamente com Cristo (pela graça sois salvos).” (Efésios 2:4–5)

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DANIEL CREU E FOI O SUFICIENTE

Fomos convidados para passar um dia em um clube de campo que tinha uma estrutura formidável. Nossos filhos estavam se divertindo a valer. Eu estava tomando sol quando Dani chegou perto de mim, já se ajoelhando, e disse:

Mãinha, estou com dor de cabeça! Ora por mim!

Sem nenhuma fé da minha parte, ouvi meu filho, pus a mão sobre sua cabeça e orei. Mal terminei a oração — confiada na fé do Dani — ele saiu correndo para a piscina, totalmente curado!

“Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 18:3)

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A CURA DO OUVIDO

Morávamos em Recife, no bairro da Encruzilhada, quando um dia chegou à nossa casa uma moça, membro da igreja à qual pertencíamos. Chorando e em completo desespero, pediu que eu orasse por ela, porque algo grave (não lembro qual a enfermidade) havia atingido seus ouvidos, deixando-a surda.

De imediato pensei: Como vou orar pelos ouvidos dela, se eu mesma sou completamente surda de um ouvido e meio surda do outro? Mas, como ela já estava de joelhos, entendi que não dependeria da minha fé, e sim da fé que ela tinha. Afinal, ela própria sabia do meu problema de audição.

Impus as mãos sobre sua cabeça — e ela foi curada imediatamente.

“E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome... porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.” (Marcos 16:17–18b)

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 OFICIALIZANDO O CASAMENTO

Fui convidada para ministrar a Palavra em uma congregação em Conceição de Feira – BA. No fim da reunião, uma senhora, visivelmente consternada, pediu que eu orasse por ela, para que seu companheiro de longos anos finalmente concordasse em casar civilmente e na igreja. Ela não queria mais viver como amasiada. No entanto, apesar dos seus constantes pedidos, ele sempre arrumava uma desculpa para não oficializar o relacionamento.

Respondi àquela senhora que oraria sim, se ela me prometesse que não insistiria mais com o companheiro sobre o assunto. Ela passou alguns minutos ponderando sobre minha proposta e, por fim, concluiu que deveria aceitá-la. Antes de orar, acrescentei — com toda sinceridade — que, se ela continuasse a importuná-lo, ele acabaria lhe dando um chute no traseiro! Ela concordou novamente, e então oramos, pedindo a intervenção divina no coração daquele cidadão.

Voltei para Salvador. Na mesma semana, a dirigente da congregação falou comigo por celular e contou que havia visitado o casal. Ao conversar com o companheiro daquela senhora, ela estendeu a mão e pediu os documentos que ele afirmava ter perdido — documentos necessários para os trâmites do casamento. Sem nenhuma objeção, ele os entregou.

Cerca de quinze dias depois, recebi o convite para as bodas, marcadas para dezembro de 2019.

“Senhor, em ti espero; Tu me responderás, ó Senhor meu Deus!” (Salmos 38:15)

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UM OSSO DE PEIXE NA MINHA FARINGE

Mais ou menos em junho de dois mil e vinte, fiz aquela sopa de peixe que tanto gosto. Abro aqui um parêntese para lembrar o quanto a nossa vida é fugaz e como pode nos surpreender — com alegrias ou dores — em questão de segundos.

Eu e meu marido estávamos começando a degustar a nossa preciosa sopinha quando, mais ou menos na terceira colherada, senti que uma parte não comestível do peixe havia tomado o caminho errado. Tentei tossir para expelir, mas era tarde: minha epiglote havia falhado, e aquele corpo estranho, pontiagudo, ficou preso na minha faringe. Comecei a babar, minha respiração tornou-se ofegante, e eu mal conseguia articular algumas palavras. Disse ao meu marido que me levasse imediatamente a um médico. Pelo caminho, ensopei várias toalhas de papel com uma gosma grossa.

O médico que me atendeu no posto me encaminhou ao Hospital da Restauração, onde eu deveria passar por uma endoscopia.

Alguns meses antes, sempre que eu passava pelo Recife e seguia em frente ao Hospital da Restauração, estendia minhas mãos e orava pelos enfermos que ali estavam. Hoje, não tenho dúvida alguma de que eu mesma estava incluída naquelas orações.

Eu havia ido a esse hospital muitos e muitos anos antes, levando um dependente químico cuja perna estava apodrecendo. Foi uma experiência marcante, pois ali vi — ao vivo e a cores — a violência política contra a saúde pública, embora tenha sido muito bem recepcionada por alguns médicos competentes e humanos.

Pois bem, lá estava eu novamente, em um anexo do HR, aguardando a endoscopia. Poucas horas antes, no posto, passei pelas mãos de uma técnica de enfermagem que sequer sabia aplicar uma injeção intravenosa. Graças a Deus, depois de encher minhas mãos de hematomas e culpar minhas veias por sua incompetência, outro técnico — em dois minutos — conseguiu aplicar a medicação.

No anexo fomos informados, meu marido e eu, de que não seria possível realizar o procedimento naquela noite, pois eu havia ingerido alimento, e isso poderia acarretar complicações graves. No entanto, eu teria que passar a noite naquele enorme salão, com pacientes de enfermidades diversas, já que todas as enfermarias estavam lotadas.

Como todos, fiquei em uma maca estreita. Ao meu lado, um jovem teve uma crise de abstinência alcoólica; foi socorrido rapidamente, mas permaneceu agitado durante toda a noite. Estava na cama de cima de um beliche e, cada vez que descia, colocava os pés pretos na minha maca, empurrando-a. Decidi então sentar-me perto do meu marido, em uma das cadeiras que os técnicos ocupavam quando não estavam atendendo pacientes. Ali passei quase toda a noite, voltando à maca apenas em alguns momentos.

O banheiro ficava ao longo de um corredor intercalado por enfermarias lotadas. Vi parte do teto arriado, com a instalação elétrica exposta. O banheiro masculino, em frente ao feminino, não tinha porta; assim, ao sair do feminino, era possível ver algum homem sentado no vaso. Vi ainda uma senhora idosa em sua maca, diante de todos, com as pernas abertas, enquanto lhe faziam a higiene. Alguns dormiam profundamente, apesar das luzes acesas e do movimento constante. Os acompanhantes se acomodavam como podiam: deitados no chão, em cadeiras, circulando — assim permaneceram até o raiar do dia.

Agradeci muito a Deus pela oportunidade de compartilhar com aqueles pacientes o descaso proporcionado por governantes mercenários; e por comprovar que a mídia não inventa mentiras sobre a situação dos hospitais — ela revela uma nudez que os políticos tentam cobrir com seus mantos negros, feitos de discursos falsos e negação da verdade.

Apesar da falta de estrutura, os heróis da saúde tinham um sorriso amável no rosto e um olhar de compaixão. Fui muito bem atendida! Algumas médicas e técnicos, durante a noite, vieram ver como eu estava.

Nas primeiras horas da manhã, fui levada a uma pequena sala entulhada de móveis, onde uma médica e, creio, duas enfermeiras me receberam com carinho e explicaram o procedimento. Quando acordei, já estava no corredor de saída, com meu marido esperando que eu despertasse. Ele me entregou uma bolsa com o corpo estranho que, em poucos segundos, havia me mostrado um mundo desconhecido e cruel. Aqui está a foto:

Eu estava ali como todos, mas para um grande aprendizado. Até hoje não consigo dimensionar o que mudou dentro de mim em relação ao sofrimento de quem depende não só da saúde pública, mas também dos planos de saúde de classe média; e o que mudou em relação aos heróis da saúde, explorados por políticos corruptos e por donos de planos, obrigando muitos médicos a recorrerem a psicólogos e/ou psicotrópicos para manter a saúde mental — simplesmente por serem compassivos.

“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”(Romanos 8:28)



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DEUS TEM PRAZER EM QUE TESTEMUNHEMOS SOBRE OS SEUS FEITOS

Sempre gostei de testemunhar sobre o agir de Deus na minha vida — tanto para a edificação de quem ouve, como para a glória do Senhor. Um dia, chegou um casal em nossa casa e começou a me censurar pelo fato de eu, em minhas pregações, compartilhar as maravilhas sobrenaturais que Deus opera em nossas vidas. Argumentei que a Bíblia é um compêndio de testemunhos, e que muitas vidas são edificadas através deles. Mas o casal insistiu, mantendo sua visão contrária à minha.

Não muito tempo depois, chegou a celebração do Ano Novo. Fomos à igreja, como sempre, romper o ano com nossa família em Cristo. Ao final do culto, enquanto nos abraçávamos, aproximou-se uma senhora com quem eu quase não tinha contato. Ela fora à igreja para abraçar a filha, mas demonstrou o mesmo carinho a todos que pôde.

Quando me abraçou, disse baixinho ao meu ouvido algo assim:
“Deus está satisfeito com você, porque você tem testemunhado do que Ele lhe tem feito.”

Espantada, perguntei:
Como você sabe?

Ela apenas apontou para cima com o dedo indicador.

Naquele instante, lembrei-me das críticas daquele casal, que haviam me entristecido profundamente. Contudo, ali, pude alegrar-me sobremaneira. Deus não apenas consolava o meu coração, como também me incentivava a continuar testemunhando!

E o mais maravilhoso: para que não restasse dúvida de que era Ele falando comigo, usou justamente uma pessoa que nada sabia — nem sobre os meus testemunhos, nem sobre a censura que eu havia recebido.

“Uma geração contará à outra a grandiosidade dos teus feitos; eles anunciarão os teus atos poderosos.” (Salmos 145:4).

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UM EMPRÉSTIMO QUE ME TIROU O PRAZER DE UMA GULOSEIMA

Na época em que eu era uma das duas diretoras do internato da ESMI (Escola Superior de Missões), a esposa do diretor, para ajudar nas despesas do internato, preparou uma guloseima que rapidamente agitou os seminaristas. Era famosa pelo sabor excelente, e eu fiquei extremamente instigada a provar aquela delícia.

No entanto, eu não tinha salário, e tampouco possuía o equivalente, naquela época, a um real de hoje. Movida pelo desejo e pela impulsividade, pedi emprestado à seminarista — moça de classe média alta — o valor necessário para comprar a guloseima. Em seguida, fui correndo adquiri-la antes que acabasse.

Mas sequer consigo lembrar do sabor. O mal-estar que senti por ter pedido aquele dinheiro emprestado — e por não saber como pagaria — tirou todo o prazer. Quantas vezes eu subira a Av. Afonso Pena com fome, e, já perto do bairro Cruzeiro, onde ficava o internato, aparecia um seminarista me convidando para comer um dos melhores hambúrgueres que já experimentara — uma refeição completa! Quantas vezes fui convidada a saborear as mini pizzas da Pastelândia, na rua Tupinambás, que eu devorava com a maior satisfação...

Eu não precisava daquele dinheiro emprestado. Bastaria dizer ao meu Pai que desejava provar aquela guloseima, e Ele — como sempre — providenciaria os meios. Com certeza, eu a teria saboreado com alegria e sem culpa.

Deus conhece as nossas fragilidades e sempre se compadece de nós. Naquela mesma noite pedi perdão ao Senhor por minha insensatez e roguei que me enviasse o dinheiro para pagar a colega, para que eu não deixasse um mau exemplo.

No dia seguinte à noite, eu conversava com alguém na entrada da escola quando um dos seminaristas chegou com um sorriso largo e pediu para falar comigo. Brincando, respondi:

“Se for para me pedir em namoro, já adianto que vou dizer não!”

Ele riu e entrou na brincadeira:

“Vou pedir, sim!”

Ao estender sua mão, ofereci a minha. Ele então deixou nela exatamente o valor de que eu precisava para pagar o empréstimo. Saí quase correndo e gritei:

“Depois te conto!”

Não haveria guloseima, por mais saborosa que fosse, que se comparasse à paz e ao alívio que senti ao quitar aquela dívida.

“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros.”
(Romanos 13:8a)

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SÃO TODOS LOUCOS

Quando dirigíamos o Desafio Jovem Peniel em Três Lagoas, recebemos o Alfredo para recuperação. Apesar da pouca idade, aquele garoto já havia experimentado uma vida marcada por drogas, andanças, álcool e tantas outras mazelas.

Nossa absoluta dependência de Deus em todas as áreas — especialmente as orações por provisão para o Centro de Recuperação — era observada por ele com total incredulidade. Mesmo vendo, com seus próprios olhos, as respostas às nossas orações, ele nos considerava todos loucos, e eu, como diretora, a mais “debilóide” de todos.

Sem suportar mais aquilo que ele chamava de “loucura”, e sem revelar seus motivos, decidiu ir embora. Um dos auxiliares do Desafio, o Ton, estava prestes a viajar. Ex-hippie, muito acostumado à estrada, convidou Alfredo para acompanhá-lo por alguns dias; depois o deixaria no caminho para que seguisse viagem de carona até seu destino. Alfredo aceitou.

Depois de uma semana juntos, Tonico decidiu voltar ao Desafio. Tirou então de sua mochila uma cenoura e a entregou a Alfredo, orientando:

“Quando a fome apertar de verdade, coma só um pedaço… apenas um pedaço! Vai aliviar.”

Segundo o próprio Alfredo, funcionou mesmo.

Durante todo um dia ele ficou na estrada pedindo carona — e nada! Ao cair da noite, começou a sentir medo. Segundo ele, havia uma regra no programa dizendo que desistentes não poderiam retornar (regra essa de que não me lembro, pois sempre acolhíamos de volta aqueles que tentavam novamente). Mesmo assim, ele decidiu arriscar e voltar.

Atravessou a estrada e, surpreendentemente, a primeira pessoa a quem pediu carona não só parou como o levou diretamente ao Desafio.

Alfredo me contou essa história há bem pouco tempo. Disse que, ao chegar ao portão, alguns reabilitandos foram ao seu encontro e ele pediu que me chamassem. Perguntei em que poderia ajudá-lo, e ele respondeu que queria ser readmitido.

Ele contou que eu pedi para que esperasse um momento, pois iria orar. Pouco depois voltei, abracei-o e disse:

“Você pode entrar.”

Após concluir o tempo no programa, ele retornou à sua terra. Hoje é servo do Deus vivo! Casado, pai de duas filhas, casadas, e a benção de dois netos.. E não apenas ele, mas toda a sua casa serve ao Senhor, cada um exercendo um ministério diferente em sua igreja.

“A perdida buscarei, e a desgarrada tornarei a trazer; a quebrada ligarei, e a enferma fortalecerei.” (Ezequiel 34:16a)

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GINA

A   nossa querida Gina conhecia muito bem o Nelson e a sua vida louca. Ela conta que um dia estava no ponto de ônibus quando viu o Nelson completamente limpo, recuperado, com a Bíblia debaixo do braço. Ao avistá-lo, ouviu uma voz falando à sua mente, por duas vezes: “Tudo que ele falar é verdade!”

Nelson se aproximou e começou a pregar o evangelho para ela, deixando-a impactada. Contou também o seu testemunho, o que a chocou ainda mais. Em seguida, convidou-a para um encontro de jovens. Ela aceitou o convite e, num cantinho, ouviu os louvores e percebeu a alegria daqueles jovens.

Logo depois, segundo ela conta, eu convidei o pessoal para orar e perguntei a ela o nome. Orando, disse:
“Deus, eu entrego a Gina nas Tuas mãos!”
Quando falei esta frase, ela viu claramente a realidade da oração. Novamente, ficou impactada!

No entanto, após aquela reunião, sua vida continuou a mesma. Nelson sempre a convidava para os cultos. Um dia, eu mesma a convidei para uma reunião. Nessa época, o Pr. José Maria já pastoreava a igreja, antes dirigida por mim. Ele fez o apelo àqueles que desejassem aceitar Jesus como Salvador. Caladinha no banco, Gina não quis se comprometer publicamente, pois não tinha certeza se era definitivo o que sentia no coração.

Desde então, comecei a passar na casa do avô dela, chamando-a para fazer visitas comigo, ir à praça onde pregávamos e convidando-a para orar pelas pessoas. Tratava-a como alguém que já estava em Cristo. Assim, ela estava sendo gerada, de uma maneira inusitada!

Como ela ainda tinha o vício do cigarro, ficava impressionada que ninguém a criticasse. Até que, certo dia, uma tia lhe ofereceu um cigarro e ela respondeu:
“Eu não fumo mais.”
Naquele instante, sentiu que fora definitivamente liberta — e nunca mais voltou a fumar.

Gina diz que minha vida com Deus era uma referência para ela. Andávamos muito juntas. Segundo suas próprias palavras:

“Eu via que você era uma mulher de oração. Ia atrás de pessoas infelizes. E o que mais me impactou foi que, quando você sabia que alguém estava preso pelas drogas ou era traficante, você levava um grupo para fazer serenata na porta dele.
Lembro do ‘Leitoa’, um traficante, quando você disse que iríamos fazer uma serenata na porta dele. Assim fui sendo gerada: vendo a maneira como você pregava, como buscava o perdido, como anunciava o evangelho.
Quando você foi embora, e eu fui para Belo Horizonte, percebi que o processo de Deus continuou na minha vida!”

Gina também sabia como Deus supria minhas necessidades. Ela foi para o Seminário, e naquela época eu era uma das duas diretoras do internato, vivendo — como ela diz — “com uma mão na frente e outra atrás”.

Contou que um dia, muito triste, veio me dizer que não tinha sequer papel higiênico, esperando que eu tivesse pena dela. Mas minha resposta foi:
“Vai orar! Vai pedir a Deus!”
E ela agradece esta atitude até hoje.

Deus tinha um propósito glorioso na vida da Gina e me privilegiou ao designar-me para instruí-la. Houve uma mudança nos dormitórios do internato, e ela foi escolhida para dividir o quarto comigo. Ela relata:

“Isso me fortaleceu! Você tinha um hábito: levava um hinário Cantor Cristão para a cama, cantava e depois passava tempo em oração e clamor. Eu via aquilo… e meu caráter e minha vida foram sendo gerados assim, como discípula. Isso me marcou muito!
A maneira como você vivia com Deus, com tanta confiança! E eu pensava: ‘Nossa, Deus supre as necessidades dela, até as mais absurdas!’”

Gina prossegue:

“Você sempre estava atrás de mim, sempre intercedia por mim e me colocava no fogo, dizendo: ‘Vai lá! Ora! Clama!’
Você é a minha mãe na fé! Você me gerou.
Eu também levei comigo o hábito de cantar com o hinário e interceder. Fui muito impactada pela sua vida, pela sua ousadia.
Vi que você falava da Verdade, e a Verdade me impactava. E percebia que você dominava muito a Bíblia. Era espontâneo!
Na casa de recuperação, uma cena constante era você lendo a Bíblia.”

Hoje, Gina é casada, tem três filhos e mora em São Paulo. Serve ao Senhor, por meio de sua igreja, numa missão que trabalha com cura da alma e também do corpo. Tem testemunhado libertações maravilhosas: de traumas, feridas, rancores, ódio, amargura e tantos outros gigantes que adoecem o espírito e o corpo.

“Porque Deus nos escolheu Nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em Sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito de Sua vontade, para o louvor da Sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.”
(Efésios 1:4–6)

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MENINO DE RUA CREU E FOI CURADO

Fui convidada pelo pastor José Horta para pregar na congregação Peniel, que à época funcionava na Madalena, bairro do Recife. Enquanto estava no meio da mensagem, percebi um garoto com um edema em uma das faces, do tamanho de uma laranja pequena.

Ao observá-lo, ouvi a voz do Espírito Santo dizendo claramente:
“Ora por ele, para que seja curado e saiba que Eu o amo!”

De imediato, pensei:
E se ele não for curado?
E se isso for coisa da minha cabeça?

Mas, diante da clareza daquela voz, decidi obedecer. Impus a mão sobre o edema e orei.

No dia seguinte, ele foi ao Centro de Recuperação. A esposa do pastor perguntou sobre o inchaço que ele tinha no rosto no dia anterior.
O garoto respondeu, com a simplicidade e fé de uma criança:
“A tia não orou por mim?”

“Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.”
(1 João 4:8)

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NÃO CONHEÇO JESUS

Fui convidada por alguns amigos para passarmos um fim de semana no campo. Em um desses dias, fui caminhar sozinha por entre aquela vasta vegetação. Enquanto caminhava, encontrei um senhor que morava naquela região pouco habitada. Perguntei-lhe: “O senhor conhece Jesus?”

Ele me olhou, como quem busca na memória alguém conhecido com aquele nome, e respondeu: “Não conheço!”
Com muito pesar, percebi que ele também não sabia nada sobre o Filho de Deus.

Expliquei que estava falando de Jesus, que veio a este mundo para morrer em uma cruz, purificar-nos de todo pecado e nos levar para os céus, onde Ele habita. Ao meu ver, aquele senhor não parecia compreender muito bem o que eu dizia a respeito de Jesus.

Mas como é bom lembrar que as aparências enganam!
À noite, fizemos um culto, e eu havia o convidado para participar conosco. Para minha surpresa e alegria, lá estava ele — acompanhado de toda a sua família.

Tempo depois, reencontrei um dos amigos com quem eu havia ido ao campo, e ele me trouxe uma boa notícia: aquele senhor e sua casa estavam firmes com Jesus.

“Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” (Mateus 28:19)

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 NO PRÓXIMO ANO VOCÊ VAI CASAR



Nieta,   como a chamamos carinhosamente, é uma simpática missionária de valor, comprometida com o Reino de Deus, sedenta por obedecer e ser guiada pelo Espírito Santo.

Trabalhávamos juntas no Desafio Jovem Peniel, em Recife. Na época eu era diretora e Nieta, obreira. Uma noite, ela foi convidada por um moço para jantarem juntos. Com a aguçada percepção de mãe, tive a certeza de que aquele moço não tinha boas intenções, portanto, quando ela me consultou, aconselhei-a a não aceitar o convite. Eu estava completamente disposta a impedir a sua ida, mas não foi necessário: Nieta, com um sorriso nos lábios, submeteu-se prontamente. E, de fato, minha desconfiança sobre aquele moço se confirmou.

Um dia, movida pelo Espírito Santo, eu lhe disse: “No próximo ano, você vai casar!”. Ela sorriu com aquele olhar interrogativo e respondeu: “Mas eu nem tenho namorado...”. Ao que retruquei: “Eu sei, mas você vai casar!”.

Pouco tempo depois apareceu no Desafio Peniel um rapaz bonitão, de aparência agradável e jeito tímido, disposto a trabalhar conosco. Após uma entrevista, e movidas pelo Espírito Santo, recebemos o Carlos André. Com o passar do tempo, André e Nieta foram se conhecendo, e dessa convivência nasceu, no coração de ambos, o amor.

Eles se casaram — e isso já faz vinte e quatro anos, desde mil novecentos e noventa e seis! Segundo o desejo de André, Deus os abençoou com uma belíssima filha, Mariana, que agora também caminha rumo ao seu próprio enlace matrimonial. Hoje, André é pastor, mestre, palestrante, dedicado aos estudos. Os dois se completam em todas as áreas. Nieta não foi ordenada pastora, mas tem o dom inato — e continua completamente comprometida com o Reino de Deus.

“Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas joias.” (Provérbios 31.10)

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terça-feira, 25 de novembro de 2025


COM MUITAS LÁGRIMAS OBEDECI

Um dia, o Pr. Reuel P. Feitosa, presidente da Missão Peniel, me disse:
“Guio, nós enviaremos você para qualquer país do mundo que você se disponha a ir!”

Apesar de muito grata pela confiança, respondi que me enviassem para qualquer lugar no Brasil, mas não para nenhuma cidade fora dele. Nem eu mesma entendi por que respondi assim; nunca fui apegada a lugares ao ponto de desobedecer ao “Ide!” segundo a vontade de Deus.

Algum tempo depois, nos cultos matutinos de domingo, o pastor Reuel começou a ler cartas vindas da Bolívia. Elas relatavam a urgência por uma missionária em Santa Cruz de La Sierra. Falavam de mulheres escravizadas pelo álcool, psicotrópicos e pela exploração sexual — histórias que as levavam a uma total decadência moral. Enquanto eu ouvia aqueles relatos tão tristes, meu coração sangrava. Eu chorava intensamente e pedia a Deus que levantasse alguém para atender aquele clamor.

Havia uma turma de seminaristas se formando, todos ansiosos por um campo missionário. Parecia natural que algum deles fosse enviado. Contudo, após a leitura de cada nova carta, várias pessoas vinham até mim e diziam:
“É você quem vai!”

Isso me irritava profundamente. Uma vez, respondi:
“E por que não você?”

Eu tinha consciência de que nenhum daqueles jovens formandos possuía experiência para um campo tão exigente. Mas, por outro lado, eu também lembrava que comecei sem experiência nenhuma, em uma época muito pesada.

Uma jovem recém-formada se dispôs com muita alegria. Apesar de meu coração me dizer que não era ela a pessoa escolhida por Deus, eu torcia para que fosse — e que tudo desse certo com ela. Além disso, o pastor Reuel não demonstrava interesse em me enviar.


As confirmações de Deus

Em meio à minha resistência, duas experiências marcaram profundamente a minha alma:

1. A voz inesperada no caminho
Eu estava subindo a Av. Afonso Pena quando quatro adolescentes vinham em sentido contrário. Um deles parou diante de mim e disse:
“Vá para a Bolívia!”

Meu Deus! Eu nunca tinha visto aquele garoto. Fui tomada por um temor indescritível.

2. A profecia inesperada
Dias depois, hospedada na casa de uma amiga, ela insistiu para que eu ligasse para uma senhora que havia sido liberta das drogas em Peniel e, hoje, membro de outra igreja. Eu só a conhecia de ouvir falar. Não queria ligar, mas pela insistência da minha amiga, decidi fazê-lo.

Assim que falei que era da Peniel, ela começou a recordar suas experiências… e, de repente, passou a falar em línguas e a profetizar. Usando-a, o Espírito Santo me disse que eu viajaria para algumas cidades e, em uma delas, eu ficaria — e seria muito feliz.

Chorei muito. Aquilo era de Deus. Ela nada sabia sobre minha possível ida para a Bolívia.


A jovem enviada — e o inesperado

Em um domingo de culto matutino, foi comunicado à igreja que aquela jovem recém-formada iria para a Bolívia. O culto inteiro foi preparado com o tema da obra em Santa Cruz de La Sierra: instrumentos, músicas, roupas típicas… tudo maravilhoso. Mas eu não estava em paz. Eu sabia que estava mentindo para mim mesma.

Dias depois, recebemos a notícia: a jovem sofreu um sério acidente automobilístico. Fui visitá-la com algumas amigas. Mesmo machucada, ela ria de si mesma. A recuperação seria lenta, mas a obra tinha urgência.

Então, surpreendentemente, o tesoureiro da igreja — que nem era ligado a missões — disse ao pastor Reuel:
“Por que não manda Guiomar?”

Fiquei impactada quando soube que a sugestão partiu justamente dele.


A rendição

Fui chamada para uma reunião no gabinete pastoral. Enquanto me apresentavam tudo o que eu já sabia — a urgência, o clamor, a necessidade — eu chorava copiosamente.

Então, falei com toda a sinceridade:
“Eu, Guiomar, não quero ir… mas a serva do Senhor vai, porque Ele quer que ela vá.”

Pastor Reuel, vendo meu estado, disse:
— “Como vamos mandar ela assim?”

E decidiu me dar mais quinze dias para pensar. Respondi que nada mudaria, pois eu tinha certeza da vontade de Deus. Ele insistiu.

Uma semana depois, nova reunião. E novamente em prantos, eu disse:
“Eu vou.”


A despedida inesquecível

Estávamos em congresso. No culto noturno de domingo anunciaram oficialmente minha ida para a Bolívia. O jogral do qual eu participava fez uma apresentação linda, entregando-me a bandeira da Bolívia.

De Salvador, alguns amigos e meu irmão Elizeu Rocha foram me prestigiar — uma surpresa maravilhosa.

Logo após o congresso, fui para São Paulo com minha querida amiga Elida Martins, liberada por seu marido, Marcos Rogério, que hoje está no Lar Eterno. O pastor Renê, presidente da ESMI, liberou todos os seminaristas para irem à minha despedida. Ele e sua esposa, D. Idelguita, também foram.

Com pandeiros, bombo, músicas bolivianas e muita algazarra, alguns choravam, outros cantavam, outros me abraçavam efusivamente. Eu estava muito feliz, grata, radiante com tanto carinho.

Quando o ônibus chegou, alguém perguntou, espantado com a multidão:
“Este ônibus vai para São Paulo ou é de algum artista?”
kkkkkkkkk!

Depois de embarcarmos, o ônibus — novinho — simplesmente não quis dar partida. Ficou preso. Os seminaristas, entre gargalhadas, apitos e gritos, empurraram o ônibus, levando o pastor Renê a brincar:
“Empurrada, mas foi!”


“Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você dirá:
‘Este é o caminho; siga-o.’”

(Isaías 30:21)

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 FILÉ MIGNON

Fui enviada para a Bolívia pela missão Peniel com o propósito de trabalhar com dependentes químicos. Lá já estava um casal que havia começado uma pequena congregação. Ao chegarmos, começamos a buscar, nos lugares mais inóspitos, jovens completamente escravizados — especialmente pelo crack — oferecendo-lhes integração no nosso programa de reabilitação, que ainda estava apenas começando.

O imóvel alugado tinha uma pequena casa que servia como salão para a congregação, alguns cômodos que eram usados como quartos, um banheiro, uma pequeníssima cozinha e uma área livre. Não tínhamos recurso algum, portanto as famílias dos internos levavam refeições para os seus, e nós providenciávamos comida para aqueles que não tinham ninguém para suprir suas necessidades básicas.

Um dia, enquanto lavava minha roupa, senti uma vontade enorme de comer carne de primeira. Com um suspiro, parei e disse a Deus: “Senhor, eu quero comer carne… mas quero filé mignon!”. Cerca de dez minutos depois dessa ousada oração, chegou uma senhora com uma sacola contendo três quilos de carne com osso e dois quilos de filé mignon, e nos entregou! Aleluiaaaaaa!!!

“E acontecerá que, antes de clamarem eles, Eu responderei; e estando eles ainda falando, Eu os ouvirei.” (Isaías 65.24)

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OS BELICHES

Chegaram os primeiros rapazes para recuperação, mas nós não tínhamos camas. De alguma forma, conseguimos colchões e lençóis para eles. Um dia, num horário em que o quarto onde dormiam estava vazio, entrei e, andando de um lado para o outro, entre lágrimas, fiz esta oração:

“Senhor, Tu sabes onde estavam estes rapazes: em trapos imundos, deitados pelas ruas, em estado de miséria total! Tu és o dono do ouro e dono da prata — vais deixar que eles continuem a dormir no chão, estando na Tua casa?”

Dois dias depois, chegou o milagre! Em um presídio de Santa Cruz de La Sierra havia uma marcenaria usada para terapia ocupacional. Ali foram fabricados, com todo capricho, ótimos beliches, que foram doados para o nosso projeto de reabilitação de dependentes químicos. Ô glória!!!

O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:19)

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AS ESTRATÉGIAS DE DEUS

Quando cheguei a Salvador, eu estava totalmente afastada de Deus. No Seu infinito amor, Ele arquitetou meios para me conduzir à terra soteropolitana.
Ainda em Recife, eu trabalhava em uma empresa e era considerada por um dos diretores como a melhor secretária. No entanto, a secretária que me antecedeu havia sido demitida por dois sócios, gerando uma pendência com o terceiro. Eu amava meu trabalho e procurava dar o melhor de mim, mas o sócio insatisfeito buscava uma brecha para vingar-se dos demais, por causa da demissão da secretária que ele tanto estimava.

Por mais que eu o atendesse bem, ele parecia sempre descontente, até que um dia me demitiu — diante de um francês com quem elaborava um projeto — que ficou visivelmente constrangido com o motivo apresentado.
Quando voltei à minha sala, poucos minutos depois chegaram o responsável pelas finanças da empresa e outro colega, oferecendo-me imediatamente um novo emprego. Eu nunca havia visto aqueles dois, e fiquei surpresa com a rapidez com que a notícia da demissão se espalhou. Agradecida, respondi que iria para Salvador — algo que nem eu mesma sabia até aquele momento, mas Deus já havia preparado o meu caminho.

Não lembro se antes ou depois da demissão, apareceu um senhor na empresa — que eu nunca havia visto — oferecendo-me um emprego em Salvador. Dei-lhe o telefone do meu irmão, Elizeu Rocha, que morava lá, pensando vagamente na possibilidade.

A decisão de ir para Salvador despertou uma força enorme dentro de mim. Convidei então uma amiga, Rosa, para me acompanhar por alguns dias. Deus estava agindo!
Ao chegarmos à casa do meu irmão, fomos bem recebidas. Ali havia o costume do culto doméstico todas as manhãs. No primeiro culto que Rosa assistiu, ela foi profundamente tocada pelo Espírito Santo — chorou copiosamente e recebeu Jesus como seu Salvador. Jamais imaginei que aquela moça tão viciada em cigarros, católica, amante de um copo, totalmente alheia ao evangelho, fosse experimentar uma transformação tão radical!
De uma coisa tenho certeza: quando nos conhecemos no Colégio Municipal de Caruaru e nos tornamos grandes amigas, Deus já tinha este propósito.

Rosa voltou para Caruaru, e eu passei a buscar emprego em Salvador. Poucos dias após sua partida, meu irmão, chegando do trabalho, perguntou-me se eu não iria assumir uma vaga — pois haviam ligado da empresa informando que, se eu não começasse imediatamente, chamariam outra pessoa. Eu já nem lembrava da oferta feita por aquele estranho em Recife. No dia seguinte, comecei a trabalhar no escritório de uns portugueses.

Pouco tempo depois de chegar à terra soteropolitana, houve um encontro de renovação espiritual. Na época, o movimento estava no auge, sob a liderança de homens como Rosivaldo Araújo e outros que lutavam por um avivamento.
O primeiro encontro de que participei foi no ICEIA – Instituto Central de Educação Isaías Alves. O pregador da noite foi o pastor Paulo Roberto. Ele contou que havia sido bandido e que, certa vez, enquanto aguardava com outros comparsas a hora de cometer um assalto, um grupo de evangélicos realizou, providencialmente, um culto ao ar livre exatamente ali.
Uma ex-prostituta testemunhou sua conversão. Enquanto seus companheiros decidiram ir embora para executar o assalto, Paulo ficou profundamente tocado pelo Espírito Santo — permaneceu até o fim e ali teve seu encontro com Jesus.

Naquela noite, além do próprio Paulo, também testemunhou um ex-leproso, relatando sua cura e salvação. A multidão se emocionou — e eu, ainda mais.
Chorei copiosamente, sentindo o agir de Deus… mas endureci o coração e insensatamente dizia a Ele:
“Eu não te quero! Eu amo o pecado!”

Mesmo assim, na noite seguinte voltei ao ICEIA. O Pr. Paulo Roberto pregou uma mensagem impactante. Mais uma vez, as lágrimas caíram sem controle.
Quando ele fez o apelo, levantei a mão — e ao mesmo tempo disse a Deus, com arrogância:
“Se você quiser mudar a minha vida, mude agora ou nunca mais!”

Apesar da minha aparência — calça jeans com duas grandes asas sobrepostas na perna esquerda, cabelo encaracolado estilo hippie, brincos extravagantes — todos me olhavam com amor.
O pastor Paulo me chamou à frente, impôs as mãos sobre a minha cabeça e orou por mim, enquanto eu tremia em um choro compulsivo.
Naquela noite, minha vida foi completamente resgatada!

“A perdida buscarei, a desgarrada tornarei a trazer, a quebrada ligarei e a enferma fortalecerei.”
(Ezequiel 34:16a)


IBM — IGREJA BATISTA MISSIONÁRIA

Logo após ser resgatada, passei a frequentar a IBM — Igreja Batista Missionária da Independência, no bairro Nazaré.
Eu havia sido criada em uma igreja pentecostal, onde meu pai era pastor e minha mãe uma serva atuante. A igreja tinha uma doutrina extremamente rígida quanto a usos e costumes, mas não havia ensino aprofundado sobre vida cristã.
Na IBM, porém, eu tinha muito o que aprender — e Deus se manifestava ali de forma forte e real!


DEMISSÃO

É maravilhoso quando começamos a perceber como Deus tece os nossos caminhos para o Seu serviço!
Eu havia pedido demissão da empresa dos portugueses e trabalhava havia dois meses em um escritório de contabilidade. Meu coração, porém, estava inquieto. Eu queria me dedicar plenamente à obra de Deus.
Visitar hospitais, favelas, pregar nas praças… tudo isso era pouco para a fome espiritual que eu sentia. Eu queria mais!

Então comecei a orar para ser demitida — como confirmação de que deveria dedicar-me totalmente ao Senhor.
Em um fim de semana, orei:

“Se o Senhor quer que eu me dedique apenas à Sua obra, quero ser demitida na segunda-feira; não vou pedir demissão.”

No entanto, no sábado, o dono do escritório enviou meu salário à livraria gerenciada por meu irmão e mandou avisar que eu não precisaria voltar ao trabalho. Providencialmente, meu irmão esqueceu de me contar. A demissão teria que ser pessoal, e na segunda-feira.

Assim, quando cheguei ao trabalho, o funcionário que levara o cheque perguntou se meu irmão não havia falado sobre a minha demissão.
Minha resposta foi um “Aleluia!” que deixou o rapaz de olhos arregalados!
Aguardei então a chegada do dono da empresa.

Quando ele chegou, a primeira coisa que disse, em tom irado, foi:
“Você pensa que aquele barbudo lá de cima vai lhe sustentar?”

Claramente, aquele homem estava sendo usado por um espírito maligno, pois eu nunca lhe havia falado sobre Deus, nem mencionado meu desejo de servir integralmente ao Senhor — tampouco pedi demissão.
Respondi-lhe:

“Com tudo o que o senhor tem, se não tiver um encontro com ‘o barbudo lá de cima’, morrerá sem salvação e o fim será o inferno.”

Saí daquele escritório com o coração transbordando de alegria! Deus havia confirmado Seu propósito para a minha vida.

“Eis que tenho colocado diante de ti uma porta aberta que ninguém consegue fechar; tens pouca força, mas obedeceste à Minha Palavra e não negaste o Meu Nome.”
(Apocalipse 3:8)

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DEUS ME LEVOU PARA TRÊS LAGOAS

Estávamos em um acampamento no Lar da Paz, a chácara onde Peniel trabalhava com recuperação de toxicômanos e alcoólatras, junto com o pessoal da ESMI (Escola Superior de Missões). Naqueles dias eu enfrentava lutas titânicas!
Uma missionária havia sido convidada para compartilhar seu testemunho sobre missões. Ela leu os versículos 10 e 11 do Salmo 45:

“Ouve, filha, vê, dá atenção, inclina os teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da casa do teu pai. Então o Rei cobiçará a tua formosura, pois Ele é teu Senhor; adora-O!” (Salmos 45:10–11)

Naquele momento, não tive a menor dúvida de que Deus estava falando diretamente comigo — apesar de eu já ter deixado minha família havia muito tempo e estar totalmente comprometida com missões. Mas o coração é enganoso… Qual decisão eu tomaria diante de tantas pressões? Só Deus sabia. Não foi por acaso que Ele falou tão forte comigo e com tanto amor.

Saí daquela reunião, sentei-me na grama e ali chorei, tomada por muito medo. Analisava minhas limitações e não encontrava uma resposta que me fizesse acreditar ser capaz de continuar. No entanto, não pensei — pelo menos conscientemente — em desistir! Eu tinha certeza de que estava no centro da vontade de Deus.

Foi nesse momento de agonia que o Pr. Renê P. Feitosa, diretor da ESMI, chegou perto de mim, parou, pôs a mão sobre a minha cabeça e disse, em tom de interrogação:
“Vá para Três Lagoas!”
(Que hora mais “imprópria” para ouvir aquele convite!)

Respondi:
“Como, se estou cheia de medos?”
E ele replicou:
“Quem não tem medos?”

Em seguida acrescentou:
“Você acabou de mudar o tema da minha mensagem!”

Naquela reunião ele pregou sobre o medo, expondo Mateus 14:29–30:

“E Ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a afundar, clamou, dizendo: Senhor, salva-me!”

Não lembro se saí daquela reunião com o coração mais calmo, mas, após muita luta e muitas confirmações de Deus, segui para Três Lagoas.

“Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta.” (Jeremias 1:5)


A VISÃO

Nos primeiros dias em Três Lagoas, D. Olinta de Campos, tesoureira do Desafio Peniel, me avisou que passaria para me buscar, pois iríamos a um determinado lugar. Já pronta, enquanto a esperava, deitei-me na cama — e logo tive a seguinte visão:

Eu abria a porta do nosso quarto e, parado ao lado do terraço, via um caminhão cercado por cordas de agave, repleto de ovelhas muito sujas e há muito tempo sem tosquia.
Na visão, também aparecia um moço com uma túnica branca. Perguntei:

“O que é isto?”

Ele respondeu:
“Trouxe para Guiomar cuidar!”

E eu retruquei, surpresa:
“Eu?”
E ele, com naturalidade:
“Se é você que é Guiomar…”

Enquanto dizia isso, puxava uma das pontas da corda, desfazendo o cerco do caminhão. Livres, as ovelhas começaram a pular para o terraço.

Uma delas — que mais parecia um bode — veio arreganhada para cima de mim, como se fosse me dar uma chifrada. Com muito medo, agarrei-a pelos chifres, segurando-a. Então o moço veio com uma espécie de ferro pontiagudo, enfiou-o entre os chifres, e eles caíram facilmente.

Embora não tivesse visto chifres nas outras ovelhas, pensei comigo:
“Se Ele fez com esta, fará com todas.”

Então despertei daquela estranha visão.

Poucos dias depois, a missionária que dirigia a igreja me entregou as chaves do templo e disse que precisava voltar para sua terra. Pediu que eu ficasse na direção enquanto ela falava com o Pr. Renê P. Feitosa, responsável pelo ministério em Três Lagoas.

No dia seguinte, o diretor do Desafio Peniel também me informou que iria embora e que eu deveria ficar responsável pelo Centro de Recuperação. Àquelas duas responsabilidades somava-se um programa de rádio que eu deveria fazer todas as manhãs.

Quando o Pr. Renê me incumbiu das três tarefas, compreendi a visão.
Realmente, aquelas ovelhas vinham de longa caminhada sem um pastor efetivo. Sempre tinham missionários que passavam rapidamente. E entre elas encontrei exatamente a “ovelha-bode” da visão. Deus me deu sabedoria para segurar-lhe os chifres e esperar que Ele mesmo os arrancasse.

Meu tempo ali não foi longo, mas foi suficiente para que o rebanho fosse restaurado, gerasse muitas crias e, enfim, recebesse um pastor que cuidaria delas por um bom tempo.

“Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor.” (Mateus 9:36)


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 ABRINDO O JOGO SOBRE O ABORTO SALVOU UM BELO BEBÊ

Um dia, quando eu morava em Belo Horizonte, recebi a ligação de uma amiga convidando-me para almoçarmos juntas, porque ela queria conversar comigo sobre um assunto delicado.
Ela me contou que estava grávida do namorado e muito preocupada com o choque que a notícia causaria à sua família. Estava em Minas Gerais para estudar em uma das universidades locais e disse-me que a única forma que encontrava para não desgostar os pais seria o aborto. Confesso que não estava preparada para lidar com uma notícia de tamanha delicadeza! Ademais, sou totalmente contrária ao aborto, embora reconheça que existem situações em que o desespero leva mulheres a tomarem essa decisão dolorosa e extrema. Falei honestamente o que pensava, à luz da Palavra de Deus, e lhe pedi um tempo para continuarmos aquela conversa. Ela concordou.

Naquela época eu dirigia o internato do seminário ESMI (Escola Superior de Missões). Quando voltei para o internato, ao entrar no nosso quarto, encontrei um livro novo, ainda lacrado em filme plástico. Surpreendentemente, o título era: “Abrindo o Jogo Sobre o Aborto”. Profundamente impactada, saí perguntando a cada interno a quem pertencia aquele livro. Ninguém viu, nem colocou o livro entre as minhas coisas. Então entendi a mensagem.

Liguei para a garota e lhe disse que tinha algo para ela. Encontramo-nos novamente. Contei a história do livro, como ele apareceu misteriosamente, e afirmei que, com certeza, aquilo era coisa de Deus. Depois de ler o livro, ela me ligou dizendo que decidiu assumir o bebê!
Aquele belo bebê tornou-se seu único filho. O namorado — o grande amor de sua vida, com quem ela se casou após a gravidez e com quem viveu alguns anos — sofreu um acidente e morreu instantaneamente.

Assim, por divina providência, o livro “Abrindo o Jogo Sobre o Aborto” salvou um belo bebê.

“Desde o ventre materno dependo de Ti; Tu me sustentaste desde as entranhas de minha mãe.
Eu sempre Te louvarei!
(Salmos 71:6)

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O SONHO

Quando voltei de Três Lagoas, o Pr. Renê P. Feitosa, então diretor da ESMI – Escola Superior de Missões, me convidou para dirigir o internato ao lado de uma de suas filhas. Uma noite, já no seminário, tive um sonho bem estranho: no nosso quarto havia um guarda-roupa muito grande, cheio de belos vestidos à moda antiga — saias rodadas, rendas, bicos, tudo muito feminino. Eu amava! No entanto, embora o guarda-roupa fosse meu, eu não podia usar nenhum daqueles vestidos. Fiquei muito intrigada com o sonho...

Não demorou muito, e lá estava eu dividindo com algumas seminaristas um quarto com um guarda-roupa bem grande, cheio de belíssimos vestidos que estavam no auge daquela moda. Mas nenhum deles me pertencia. Eu sequer tinha condições de me vestir bem. Contudo, não havia dúvida de que eu estava sendo testada por Deus — observado como eu reagiria àquela situação. E, graças a Deus, eu podia me alegrar ao ver aquelas moças tão bem arrumadas!

“E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não.” (Deuteronômio 8:2)








ABRINDO O JOGO SOBRE O ABORTO SALVOU UM BELO BEBÊ

Um dia, quando eu morava em Belo Horizonte, recebi a ligação de uma amiga convidando-me para almoçarmos juntas, porque ela queria conversar comigo sobre um assunto delicado.
Ela me contou que estava grávida do namorado e muito preocupada com o choque que a notícia causaria à sua família. Estava em Minas Gerais para estudar em uma das universidades locais e disse-me que a única forma que encontrava para não desgostar os pais seria o aborto. Confesso que não estava preparada para lidar com uma notícia de tamanha delicadeza! Ademais, sou totalmente contrária ao aborto, embora reconheça que existem situações em que o desespero leva mulheres a tomarem essa decisão dolorosa e extrema. Falei honestamente o que pensava, à luz da Palavra de Deus, e lhe pedi um tempo para continuarmos aquela conversa. Ela concordou.

Naquela época eu dirigia o internato do seminário ESMI (Escola Superior de Missões). Quando voltei para o internato, ao entrar no nosso quarto, encontrei um livro novo, ainda lacrado em filme plástico. Surpreendentemente, o título era: “Abrindo o Jogo Sobre o Aborto”. Profundamente impactada, saí perguntando a cada interno a quem pertencia aquele livro. Ninguém viu, nem colocou o livro entre as minhas coisas. Então entendi a mensagem.

Liguei para a garota e lhe disse que tinha algo para ela. Encontramo-nos novamente. Contei a história do livro, como ele apareceu misteriosamente, e afirmei que, com certeza, aquilo era coisa de Deus. Depois de ler o livro, ela me ligou dizendo que decidiu assumir o bebê!
Aquele belo bebê tornou-se seu único filho. O namorado — o grande amor de sua vida, com quem ela se casou após a gravidez e com quem viveu alguns anos — sofreu um acidente e morreu instantaneamente.

Assim, por divina providência, o livro “Abrindo o Jogo Sobre o Aborto” salvou um belo bebê.

“Desde o ventre materno dependo de Ti; Tu me sustentaste desde as entranhas de minha mãe.
Eu sempre Te louvarei!” (Salmos 71:6)




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DEUS DIRIGINDO OS MEUS PASSOS


Deus havia determinado um novo campo missionário para mim. Eu não sabia por quanto tempo permaneceria ali, nem por quanto tempo ficaria longe dos meus amigos e da minha família. Por isso, pedi ao presidente do ministério onde eu servia autorização para viajar a Salvador por alguns poucos dias.

De imediato, ele me disse um não — com todas as letras. Embora eu tivesse falado em particular, estávamos perto de várias pessoas que certamente ouviram aquela negativa. Senti-me profundamente envergonhada.

Saí dali com o rosto abatido, mas com esperança de que Deus faria algo em meu favor, pois eu tinha total convicção de que aquela viagem era da vontade dEle.

Não andei dois metros quando ele me chamou de volta e disse:
“Se é para ficar com essa cara feia, vá embora!”

Respondi que não estava com “cara feia”; que apenas acatava sua decisão.
Ele repetiu:
“Pode ir!”

E assim Deus abriu a porta que Ele mesmo havia determinado para mim.

“Ó SENHOR, eu sei que ao homem não pertence o seu caminho, nem ao que caminha o dirigir os seus passos.”(Jeremias 10:23)

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DEUS ME LIVROU DE UMA REPRIMENDA INJUSTA

(versão corrigida)

Quando eu dirigia uma instituição evangélica, certo dia o presidente me chamou ao seu gabinete. Ao chegar à porta, encontrei outra pessoa que trabalhava comigo saindo, e ela me disse (parafraseando):
“Prepara-te para levar uma reprimenda!”

Eu estava absolutamente tranquila, pois sabia que não havia feito nada que justificasse tal correção. Antes de entrar, já com a mão na maçaneta, orei silenciosamente:
“Senhor, tu sabes que não fiz nada errado. Por favor, fecha a boca dele!”

Entrei. Aquele senhor, muito sensível à voz do Espírito Santo, começou a remexer alguns papéis sobre a mesa e, visivelmente constrangido, disse-me apenas:
“Não… nada, não.”
Balbuciou mais alguma coisa — que já nem lembro — e me dispensou.

Deus é justo juiz! Líderes podem receber informações falsas, podem ser enganados a nosso respeito; mas quando dependemos e andamos com Deus, Ele trabalha a nosso favor. Mesmo quando Ele permite que soframos injustiças e calúnias, seu propósito final é sempre transformar o mal em bênção, gerando crescimento espiritual e nos honrando diante dos acusadores.

“Ele ama a justiça e a retidão;
a terra está cheia da bondade do Senhor.”
(Salmos 33:5)

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PALAVRAS QUE QUASE ME CONDUZIRAM À MORTE


Em meio a determinadas aflições, eu repetia constantemente: “Queria morrer!”
Um dia sombrio, enquanto fazíamos mudança para uma nova casa e pessoas desconhecidas empacotavam nossos pertences, caí na cama sem forças, febril, sentindo como se estivesse realmente morrendo. Comecei a clamar por misericórdia, quando me lembrei das vezes em que, de forma insensata, eu dizia que queria morrer.

Foi então que minha cunhada, Ruldin, chegou. Passando suavemente a mão nas minhas costas, com voz tranquila perguntou:
“O que você tem?”

Respondi quase sem voz que estava muito mal. Ela disse:
“Vamos ao médico!”

Como eu estava sem dinheiro — e na Bolívia as consultas eram sempre particulares — respondi que não queria ir. Mas ela insistiu:
“Vamos, eu levo!”

Sabendo que estava muito mal, fiz um esforço para me levantar e fui com ela ao consultório. Após me examinar, o médico constatou que eu estava com uma infecção pulmonar, à beira de uma tuberculose. Receitou os medicamentos e, em uma semana, eu estava totalmente curada.

Eu, insensatamente, dizia que queria morrer. Mas quando a morte me confrontou, supliquei pela Vida — e Ele, em sua infinita misericórdia, perdoou minhas palavras impensadas e restaurou meu corpo.

“Fizemos um pacto com a morte,
com a sepultura fizemos um acordo.”
(Isaías 28:15a)

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