UM EMPRÉSTIMO QUE ME TIROU O PRAZER DE UMA GULOSEIMA
Na época em que eu era uma das duas diretoras do internato da ESMI (Escola Superior de Missões), a esposa do diretor, para ajudar nas despesas do internato, preparou uma guloseima que rapidamente agitou os seminaristas. Era famosa pelo sabor excelente, e eu fiquei extremamente instigada a provar aquela delícia.
No entanto, eu não tinha salário, e tampouco possuía o equivalente, naquela época, a um real de hoje. Movida pelo desejo e pela impulsividade, pedi emprestado à seminarista — moça de classe média alta — o valor necessário para comprar a guloseima. Em seguida, fui correndo adquiri-la antes que acabasse.
Mas sequer consigo lembrar do sabor. O mal-estar que senti por ter pedido aquele dinheiro emprestado — e por não saber como pagaria — tirou todo o prazer. Quantas vezes eu subira a Av. Afonso Pena com fome, e, já perto do bairro Cruzeiro, onde ficava o internato, aparecia um seminarista me convidando para comer um dos melhores hambúrgueres que já experimentara — uma refeição completa! Quantas vezes fui convidada a saborear as mini pizzas da Pastelândia, na rua Tupinambás, que eu devorava com a maior satisfação...
Eu não precisava daquele dinheiro emprestado. Bastaria dizer ao meu Pai que desejava provar aquela guloseima, e Ele — como sempre — providenciaria os meios. Com certeza, eu a teria saboreado com alegria e sem culpa.
Deus conhece as nossas fragilidades e sempre se compadece de nós. Naquela mesma noite pedi perdão ao Senhor por minha insensatez e roguei que me enviasse o dinheiro para pagar a colega, para que eu não deixasse um mau exemplo.
No dia seguinte à noite, eu conversava com alguém na entrada da escola quando um dos seminaristas chegou com um sorriso largo e pediu para falar comigo. Brincando, respondi:
— “Se for para me pedir em namoro, já adianto que vou dizer não!”
Ele riu e entrou na brincadeira:
— “Vou pedir, sim!”
Ao estender sua mão, ofereci a minha. Ele então deixou nela exatamente o valor de que eu precisava para pagar o empréstimo. Saí quase correndo e gritei:
— “Depois te conto!”
Não haveria guloseima, por mais saborosa que fosse, que se comparasse à paz e ao alívio que senti ao quitar aquela dívida.
“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros.”
(Romanos 13:8a)
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