AS ESTRATÉGIAS DE DEUS
Quando cheguei a Salvador, eu estava totalmente afastada de Deus. No Seu infinito amor, Ele arquitetou meios para me conduzir à terra soteropolitana.
Ainda em Recife, eu trabalhava em uma empresa e era considerada por um dos diretores como a melhor secretária. No entanto, a secretária que me antecedeu havia sido demitida por dois sócios, gerando uma pendência com o terceiro. Eu amava meu trabalho e procurava dar o melhor de mim, mas o sócio insatisfeito buscava uma brecha para vingar-se dos demais, por causa da demissão da secretária que ele tanto estimava.
Por mais que eu o atendesse bem, ele parecia sempre descontente, até que um dia me demitiu — diante de um francês com quem elaborava um projeto — que ficou visivelmente constrangido com o motivo apresentado.
Quando voltei à minha sala, poucos minutos depois chegaram o responsável pelas finanças da empresa e outro colega, oferecendo-me imediatamente um novo emprego. Eu nunca havia visto aqueles dois, e fiquei surpresa com a rapidez com que a notícia da demissão se espalhou. Agradecida, respondi que iria para Salvador — algo que nem eu mesma sabia até aquele momento, mas Deus já havia preparado o meu caminho.
Não lembro se antes ou depois da demissão, apareceu um senhor na empresa — que eu nunca havia visto — oferecendo-me um emprego em Salvador. Dei-lhe o telefone do meu irmão, Elizeu Rocha, que morava lá, pensando vagamente na possibilidade.
A decisão de ir para Salvador despertou uma força enorme dentro de mim. Convidei então uma amiga, Rosa, para me acompanhar por alguns dias. Deus estava agindo!
Ao chegarmos à casa do meu irmão, fomos bem recebidas. Ali havia o costume do culto doméstico todas as manhãs. No primeiro culto que Rosa assistiu, ela foi profundamente tocada pelo Espírito Santo — chorou copiosamente e recebeu Jesus como seu Salvador. Jamais imaginei que aquela moça tão viciada em cigarros, católica, amante de um copo, totalmente alheia ao evangelho, fosse experimentar uma transformação tão radical!
De uma coisa tenho certeza: quando nos conhecemos no Colégio Municipal de Caruaru e nos tornamos grandes amigas, Deus já tinha este propósito.
Rosa voltou para Caruaru, e eu passei a buscar emprego em Salvador. Poucos dias após sua partida, meu irmão, chegando do trabalho, perguntou-me se eu não iria assumir uma vaga — pois haviam ligado da empresa informando que, se eu não começasse imediatamente, chamariam outra pessoa. Eu já nem lembrava da oferta feita por aquele estranho em Recife. No dia seguinte, comecei a trabalhar no escritório de uns portugueses.
Pouco tempo depois de chegar à terra soteropolitana, houve um encontro de renovação espiritual. Na época, o movimento estava no auge, sob a liderança de homens como Rosivaldo Araújo e outros que lutavam por um avivamento.
O primeiro encontro de que participei foi no ICEIA – Instituto Central de Educação Isaías Alves. O pregador da noite foi o pastor Paulo Roberto. Ele contou que havia sido bandido e que, certa vez, enquanto aguardava com outros comparsas a hora de cometer um assalto, um grupo de evangélicos realizou, providencialmente, um culto ao ar livre exatamente ali.
Uma ex-prostituta testemunhou sua conversão. Enquanto seus companheiros decidiram ir embora para executar o assalto, Paulo ficou profundamente tocado pelo Espírito Santo — permaneceu até o fim e ali teve seu encontro com Jesus.
Naquela noite, além do próprio Paulo, também testemunhou um ex-leproso, relatando sua cura e salvação. A multidão se emocionou — e eu, ainda mais.
Chorei copiosamente, sentindo o agir de Deus… mas endureci o coração e insensatamente dizia a Ele:
“Eu não te quero! Eu amo o pecado!”
Mesmo assim, na noite seguinte voltei ao ICEIA. O Pr. Paulo Roberto pregou uma mensagem impactante. Mais uma vez, as lágrimas caíram sem controle.
Quando ele fez o apelo, levantei a mão — e ao mesmo tempo disse a Deus, com arrogância:
“Se você quiser mudar a minha vida, mude agora ou nunca mais!”
Apesar da minha aparência — calça jeans com duas grandes asas sobrepostas na perna esquerda, cabelo encaracolado estilo hippie, brincos extravagantes — todos me olhavam com amor.
O pastor Paulo me chamou à frente, impôs as mãos sobre a minha cabeça e orou por mim, enquanto eu tremia em um choro compulsivo.
Naquela noite, minha vida foi completamente resgatada!
“A perdida buscarei, a desgarrada tornarei a trazer, a quebrada ligarei e a enferma fortalecerei.”
(Ezequiel 34:16a)
IBM — IGREJA BATISTA MISSIONÁRIA
Logo após ser resgatada, passei a frequentar a IBM — Igreja Batista Missionária da Independência, no bairro Nazaré.
Eu havia sido criada em uma igreja pentecostal, onde meu pai era pastor e minha mãe uma serva atuante. A igreja tinha uma doutrina extremamente rígida quanto a usos e costumes, mas não havia ensino aprofundado sobre vida cristã.
Na IBM, porém, eu tinha muito o que aprender — e Deus se manifestava ali de forma forte e real!
DEMISSÃO
É maravilhoso quando começamos a perceber como Deus tece os nossos caminhos para o Seu serviço!
Eu havia pedido demissão da empresa dos portugueses e trabalhava havia dois meses em um escritório de contabilidade. Meu coração, porém, estava inquieto. Eu queria me dedicar plenamente à obra de Deus.
Visitar hospitais, favelas, pregar nas praças… tudo isso era pouco para a fome espiritual que eu sentia. Eu queria mais!
Então comecei a orar para ser demitida — como confirmação de que deveria dedicar-me totalmente ao Senhor.
Em um fim de semana, orei:
“Se o Senhor quer que eu me dedique apenas à Sua obra, quero ser demitida na segunda-feira; não vou pedir demissão.”
No entanto, no sábado, o dono do escritório enviou meu salário à livraria gerenciada por meu irmão e mandou avisar que eu não precisaria voltar ao trabalho. Providencialmente, meu irmão esqueceu de me contar. A demissão teria que ser pessoal, e na segunda-feira.
Assim, quando cheguei ao trabalho, o funcionário que levara o cheque perguntou se meu irmão não havia falado sobre a minha demissão.
Minha resposta foi um “Aleluia!” que deixou o rapaz de olhos arregalados!
Aguardei então a chegada do dono da empresa.
Quando ele chegou, a primeira coisa que disse, em tom irado, foi:
“Você pensa que aquele barbudo lá de cima vai lhe sustentar?”
Claramente, aquele homem estava sendo usado por um espírito maligno, pois eu nunca lhe havia falado sobre Deus, nem mencionado meu desejo de servir integralmente ao Senhor — tampouco pedi demissão.
Respondi-lhe:
“Com tudo o que o senhor tem, se não tiver um encontro com ‘o barbudo lá de cima’, morrerá sem salvação e o fim será o inferno.”
Saí daquele escritório com o coração transbordando de alegria! Deus havia confirmado Seu propósito para a minha vida.
“Eis que tenho colocado diante de ti uma porta aberta que ninguém consegue fechar; tens pouca força, mas obedeceste à Minha Palavra e não negaste o Meu Nome.”
(Apocalipse 3:8)
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