terça-feira, 25 de novembro de 2025


DEUS ME LEVOU PARA TRÊS LAGOAS

Estávamos em um acampamento no Lar da Paz, a chácara onde Peniel trabalhava com recuperação de toxicômanos e alcoólatras, junto com o pessoal da ESMI (Escola Superior de Missões). Naqueles dias eu enfrentava lutas titânicas!
Uma missionária havia sido convidada para compartilhar seu testemunho sobre missões. Ela leu os versículos 10 e 11 do Salmo 45:

“Ouve, filha, vê, dá atenção, inclina os teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da casa do teu pai. Então o Rei cobiçará a tua formosura, pois Ele é teu Senhor; adora-O!” (Salmos 45:10–11)

Naquele momento, não tive a menor dúvida de que Deus estava falando diretamente comigo — apesar de eu já ter deixado minha família havia muito tempo e estar totalmente comprometida com missões. Mas o coração é enganoso… Qual decisão eu tomaria diante de tantas pressões? Só Deus sabia. Não foi por acaso que Ele falou tão forte comigo e com tanto amor.

Saí daquela reunião, sentei-me na grama e ali chorei, tomada por muito medo. Analisava minhas limitações e não encontrava uma resposta que me fizesse acreditar ser capaz de continuar. No entanto, não pensei — pelo menos conscientemente — em desistir! Eu tinha certeza de que estava no centro da vontade de Deus.

Foi nesse momento de agonia que o Pr. Renê P. Feitosa, diretor da ESMI, chegou perto de mim, parou, pôs a mão sobre a minha cabeça e disse, em tom de interrogação:
“Vá para Três Lagoas!”
(Que hora mais “imprópria” para ouvir aquele convite!)

Respondi:
“Como, se estou cheia de medos?”
E ele replicou:
“Quem não tem medos?”

Em seguida acrescentou:
“Você acabou de mudar o tema da minha mensagem!”

Naquela reunião ele pregou sobre o medo, expondo Mateus 14:29–30:

“E Ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a afundar, clamou, dizendo: Senhor, salva-me!”

Não lembro se saí daquela reunião com o coração mais calmo, mas, após muita luta e muitas confirmações de Deus, segui para Três Lagoas.

“Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta.” (Jeremias 1:5)


A VISÃO

Nos primeiros dias em Três Lagoas, D. Olinta de Campos, tesoureira do Desafio Peniel, me avisou que passaria para me buscar, pois iríamos a um determinado lugar. Já pronta, enquanto a esperava, deitei-me na cama — e logo tive a seguinte visão:

Eu abria a porta do nosso quarto e, parado ao lado do terraço, via um caminhão cercado por cordas de agave, repleto de ovelhas muito sujas e há muito tempo sem tosquia.
Na visão, também aparecia um moço com uma túnica branca. Perguntei:

“O que é isto?”

Ele respondeu:
“Trouxe para Guiomar cuidar!”

E eu retruquei, surpresa:
“Eu?”
E ele, com naturalidade:
“Se é você que é Guiomar…”

Enquanto dizia isso, puxava uma das pontas da corda, desfazendo o cerco do caminhão. Livres, as ovelhas começaram a pular para o terraço.

Uma delas — que mais parecia um bode — veio arreganhada para cima de mim, como se fosse me dar uma chifrada. Com muito medo, agarrei-a pelos chifres, segurando-a. Então o moço veio com uma espécie de ferro pontiagudo, enfiou-o entre os chifres, e eles caíram facilmente.

Embora não tivesse visto chifres nas outras ovelhas, pensei comigo:
“Se Ele fez com esta, fará com todas.”

Então despertei daquela estranha visão.

Poucos dias depois, a missionária que dirigia a igreja me entregou as chaves do templo e disse que precisava voltar para sua terra. Pediu que eu ficasse na direção enquanto ela falava com o Pr. Renê P. Feitosa, responsável pelo ministério em Três Lagoas.

No dia seguinte, o diretor do Desafio Peniel também me informou que iria embora e que eu deveria ficar responsável pelo Centro de Recuperação. Àquelas duas responsabilidades somava-se um programa de rádio que eu deveria fazer todas as manhãs.

Quando o Pr. Renê me incumbiu das três tarefas, compreendi a visão.
Realmente, aquelas ovelhas vinham de longa caminhada sem um pastor efetivo. Sempre tinham missionários que passavam rapidamente. E entre elas encontrei exatamente a “ovelha-bode” da visão. Deus me deu sabedoria para segurar-lhe os chifres e esperar que Ele mesmo os arrancasse.

Meu tempo ali não foi longo, mas foi suficiente para que o rebanho fosse restaurado, gerasse muitas crias e, enfim, recebesse um pastor que cuidaria delas por um bom tempo.

“Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor.” (Mateus 9:36)





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