GINA
A nossa querida Gina conhecia muito bem o Nelson e a sua vida louca. Ela conta que um dia estava no ponto de ônibus quando viu o Nelson completamente limpo, recuperado, com a Bíblia debaixo do braço. Ao avistá-lo, ouviu uma voz falando à sua mente, por duas vezes: “Tudo que ele falar é verdade!”
Nelson se aproximou e começou a pregar o evangelho para ela, deixando-a impactada. Contou também o seu testemunho, o que a chocou ainda mais. Em seguida, convidou-a para um encontro de jovens. Ela aceitou o convite e, num cantinho, ouviu os louvores e percebeu a alegria daqueles jovens.
Logo depois, segundo ela conta, eu convidei o pessoal para orar e perguntei a ela o nome. Orando, disse:
“Deus, eu entrego a Gina nas Tuas mãos!”
Quando falei esta frase, ela viu claramente a realidade da oração. Novamente, ficou impactada!
No entanto, após aquela reunião, sua vida continuou a mesma. Nelson sempre a convidava para os cultos. Um dia, eu mesma a convidei para uma reunião. Nessa época, o Pr. José Maria já pastoreava a igreja, antes dirigida por mim. Ele fez o apelo àqueles que desejassem aceitar Jesus como Salvador. Caladinha no banco, Gina não quis se comprometer publicamente, pois não tinha certeza se era definitivo o que sentia no coração.
Desde então, comecei a passar na casa do avô dela, chamando-a para fazer visitas comigo, ir à praça onde pregávamos e convidando-a para orar pelas pessoas. Tratava-a como alguém que já estava em Cristo. Assim, ela estava sendo gerada, de uma maneira inusitada!
Como ela ainda tinha o vício do cigarro, ficava impressionada que ninguém a criticasse. Até que, certo dia, uma tia lhe ofereceu um cigarro e ela respondeu:
“Eu não fumo mais.”
Naquele instante, sentiu que fora definitivamente liberta — e nunca mais voltou a fumar.
Gina diz que minha vida com Deus era uma referência para ela. Andávamos muito juntas. Segundo suas próprias palavras:
“Eu via que você era uma mulher de oração. Ia atrás de pessoas infelizes. E o que mais me impactou foi que, quando você sabia que alguém estava preso pelas drogas ou era traficante, você levava um grupo para fazer serenata na porta dele.
Lembro do ‘Leitoa’, um traficante, quando você disse que iríamos fazer uma serenata na porta dele. Assim fui sendo gerada: vendo a maneira como você pregava, como buscava o perdido, como anunciava o evangelho.
Quando você foi embora, e eu fui para Belo Horizonte, percebi que o processo de Deus continuou na minha vida!”
Gina também sabia como Deus supria minhas necessidades. Ela foi para o Seminário, e naquela época eu era uma das duas diretoras do internato, vivendo — como ela diz — “com uma mão na frente e outra atrás”.
Contou que um dia, muito triste, veio me dizer que não tinha sequer papel higiênico, esperando que eu tivesse pena dela. Mas minha resposta foi:
“Vai orar! Vai pedir a Deus!”
E ela agradece esta atitude até hoje.
Deus tinha um propósito glorioso na vida da Gina e me privilegiou ao designar-me para instruí-la. Houve uma mudança nos dormitórios do internato, e ela foi escolhida para dividir o quarto comigo. Ela relata:
“Isso me fortaleceu! Você tinha um hábito: levava um hinário Cantor Cristão para a cama, cantava e depois passava tempo em oração e clamor. Eu via aquilo… e meu caráter e minha vida foram sendo gerados assim, como discípula. Isso me marcou muito!
A maneira como você vivia com Deus, com tanta confiança! E eu pensava: ‘Nossa, Deus supre as necessidades dela, até as mais absurdas!’”
Gina prossegue:
“Você sempre estava atrás de mim, sempre intercedia por mim e me colocava no fogo, dizendo: ‘Vai lá! Ora! Clama!’
Você é a minha mãe na fé! Você me gerou.
Eu também levei comigo o hábito de cantar com o hinário e interceder. Fui muito impactada pela sua vida, pela sua ousadia.
Vi que você falava da Verdade, e a Verdade me impactava. E percebia que você dominava muito a Bíblia. Era espontâneo!
Na casa de recuperação, uma cena constante era você lendo a Bíblia.”
Hoje, Gina é casada, tem três filhos e mora em São Paulo. Serve ao Senhor, por meio de sua igreja, numa missão que trabalha com cura da alma e também do corpo. Tem testemunhado libertações maravilhosas: de traumas, feridas, rancores, ódio, amargura e tantos outros gigantes que adoecem o espírito e o corpo.
“Porque Deus nos escolheu Nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em Sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito de Sua vontade, para o louvor da Sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.”
(Efésios 1:4–6)
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