: A troca de
quarto que me salvou
Um rapaz esteve conosco no D.J.P. (Desafio Jovem Peniel) por
um determinado tempo. Era considerado um bandido perigoso. Segundo ele, o ferro
que carregava na perna era resultado de uma troca de tiros com a polícia.
Lutamos para conduzi-lo a um novo caminho, mas ele decidiu voltar ao seu
descaminho.
Um dia ele retornou ao Desafio pedindo ao obreiro que
administrava o centro que lhe desse algum dinheiro para ajudar uma senhora
idosa que o hospedava. O diretor me chamou e disse que eu deveria negar o
pedido.
Expliquei ao rapaz que ele conhecia a realidade do D.J.P.,
sabia que vivíamos de doações de simpatizantes do ministério e que não tínhamos
recursos para ajudar outras pessoas. (Também imaginávamos que a história não
fosse verdadeira.)
Com um olhar frio, ele me ameaçou dizendo que um dia me
encontraria sozinha na rua — e foi embora.
O Desafio estava situado em um bairro nobre do Recife, em
uma casa bonita, pertencente a um empresário bem-sucedido. Eu dormia no segundo
piso, em um pequeno e aconchegante quarto com uma janela que dava diretamente
para o telhado de uma casa vizinha. Nunca imaginei que aquele telhado pudesse
servir de ponte para um assaltante entrar no meu quarto.
Um dia, por pura providência divina, senti que deveria mudar
de quarto. Havia outro, totalmente gradeado, voltado para a rua, e decidi
ocupar aquele.
Naquela madrugada, o rapaz entrou no quarto que eu havia
deixado, armado com um punhal. Acordou o obreiro — um jovem muito temente a
Deus, tranquilo — e o ameaçou de morte. O obreiro apenas respondeu:
“Você está com o punhal… o que eu posso fazer?”
Depois de obrigá-lo a descer e aterrorizá-lo, foi embora,
pois o seu alvo, na verdade, era eu.
Ele ainda voltou duas vezes. Em uma delas, fez o que quis,
sem que ninguém lhe oferecesse resistência. Na segunda vez, eu estava sozinha
na sala, escrevendo em um antigo birô, quando ele apareceu na janela e fez
barulho para chamar minha atenção.
Naquele momento meu sangue ferveu e, tomada por uma coragem
que não sei explicar, gritei:
“Olha aqui, seu cabra safado! Você vem aqui, apronta, e
nenhum macho lhe oferece resistência… mas entre agora e veja do que é capaz uma
fêmea!”
(Não tenho a mínima ideia do que eu seria capaz de fazer!
Kkkkkkkkkkkk.)
Ele recuou covardemente, dizendo:
“Que é isso, Guiomar?”
E desapareceu. Nunca mais voltou.
“Em Deus, cuja palavra eu louvo; em Deus eu confio e não
temerei. Que poderá fazer-me o simples mortal?” (Salmos 56:4)