quarta-feira, 14 de março de 2018

AS PROMESSAS DE DEUS


                                                         

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas” Mateus 6.33.
Pr. Jair Rocha.

Tenho ouvido várias pessoas relatarem que tem “promessa de Deus” referentes a certas circunstâncias particulares, e portanto vivem uma expectativa, principalmente quando algumas dessas “promessas” teriam sido proferidas por algum “vaso” que Deus teria usado.

Não sou cético, não sou incrédulo. Eu creio que Deus fala hoje, quer pela sua Palavra Escrita, quer através de pessoas, quer diretamente ao nosso ouvido interior ou como bem lhe aprouver falar, de tal forma que sua palavra fará aquilo que Lhe apraz (Isaías 55:11).

Como sempre, há um uso equivocado das Escrituras, ou um uso iníquo, maligno como o próprio maligno usou ao tentar Jesus, e esse uso, muito frequentemente, busca fortalecer uma fé cujo fundamento é areia e não a Rocha levando pessoas incautas a se valer de promessa das Escrituras que diziam respeito a pessoas específicas ou a Israel ou a outros povos em circunstâncias específicas, exclusivas.

Devemos compreender que as promessas de Deus registradas nas Escrituras, muitas que já se cumpriram nos ensinam sobre princípios que regem o caráter de Deus, como por exemplo: sua fidelidade, poder e soberania para cumprir o que efetivamente promete. E os princípios sobre os quais Deus age, esses são imutáveis como Ele é imutável.

Fica evidente que grande parte das promessas não dizem respeito a Igreja mas estavam circunscritas a evolução da história contexto preparatório ao surgimento da Igreja, povo de Deus, herdeiros da fé de Abraão, sua descendência espiritual (em número como as estrelas do céu e como os grãos de areia da praia) a ele prometida. Para essa descendência estão escritas várias promessas coletivas e individuais muitas já historicamente cumpridas e algumas cujo cumprimento esperamos.

Precisamos aprender a distinguir promessas cumpridas como conteúdos de princípios que, esses dizem respeito a nós: “O Senhor te porá por cabeça e não por cauda; e só estarás em cima e não em baixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor, teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir” Deuteronômio 28:13

Levantemos então algumas questões pertinentes:
• O diácono Estêvão morto por apedrejamento era desobediente aos mandamentos, estava por cima ou por baixo, era cauda ou cabeça?
• Os apóstolos Pedro e Paulo martirizados no final do seu ministério e a Igreja dizimada pelo imperador Nero eram cabeça ou cauda, estavam por cima ou por baixo, eram desobedientes aos mandamentos?
• Mais recentemente no século XIV, Jonh Huss queimado vivo em uma fogueira era cabeça ou cauda, estava por cima ou por baixo?
• Conforme dados levantados pelo Pr. James Kennedy, cerca de 40 milhões de pessoas martirizadas ao longo da história da igreja do Senhor Jesus eram cauda ou cabeça, estavam por cima ou por baixo, foram desobedientes aos mandamentos?

Teria então Deus falhado na sua promessa para com os obedientes filhos da fé de Abraão?

A falta de estudo sério e comprometido da Bíblia é a razão porque muitas pessoas cedem facilmente ao ensino falso de que os salvos por Jesus não sofrem, não passam privações e em tudo são vitoriosas materialmente, sempre cabeça e não cauda, sempre por cima e não por baixo.

O verso 13 de Deuteronômio 28 nos ensina o resultado de andar com Deus e ser perfeito em razão do amor a Deus e na esperança da vida que há de vir prefigurada pela caminhada de Israel no deserto e pela vida que deveria viver sob bênção na terra da promessa. Várias outras promessas nos revelam a fidelidade incondicional de Deus e as promessas que dizem respeito a esta vida sempre nos ensinam obediência também incondicional tendo como resultante a provisão necessária tal como em Mateus 6:33.

O mandamento de Jesus dado após enfatizar o cuidado de Deus, tem como consequência natural a provisão: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça” ... (mandamento) “e as demais coisas vos serão acrescentadas” (provisão). Há que haver esforço de conhecimento e de busca. O que é o Reino de Deus, o que é a sua justiça a serem buscados?

A priori duas coisas interessantes nos chama a atenção em relação ao Reino de Deus; a primeira delas é a certeza de que esse reino não é deste mundo (João 18:36) e a outra é que o reino não é comida e nem bebida mas “gozo, paz e alegria no Espírito Santo” Romanos 14:17. Outra coisa tem a ver com a justiça do reino cujo termo “justiça” no sentido original vai além da questão legal como conhecemos em nossa cultura, mas com o ordenamento de todas as coisas, tanto valores morais, como equilíbrio das forças da natureza, preservação da vida, etc.

Buscar o reino de Deus e a sua justiça significa viver a piedade cristã e essa vivência permite experimentar o seu conteúdo que são duas promessas: uma para esta vida (“se alguém me ama guardará a minha palavra e Eu e o Pai viremos a ele e nele faremos morada” João. 14:23; João 14:16-18), e outra promessa para a vida que há de vir: “vou preparar-vos lugar. Virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver vocês estejam também” João14:1. É assim que o apóstolo Paulo escreveu ao pastor Timóteo (I Timóteo 4:8). Portanto, da parte de Deus essas são as promessas essenciais e indispensáveis.





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