“Buscai em primeiro
lugar o Reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas vos serão
acrescentadas” Mateus 6.33.
Pr. Jair Rocha.
Pr. Jair Rocha.
Tenho ouvido
várias pessoas relatarem que tem “promessa de Deus” referentes a certas
circunstâncias particulares, e portanto vivem uma expectativa, principalmente
quando algumas dessas “promessas” teriam sido proferidas por algum “vaso” que
Deus teria usado.
Não sou
cético, não sou incrédulo. Eu creio que Deus fala hoje, quer pela sua Palavra
Escrita, quer através de pessoas, quer diretamente ao nosso ouvido interior ou
como bem lhe aprouver falar, de tal forma que sua palavra fará aquilo que Lhe
apraz (Isaías 55:11).
Como sempre,
há um uso equivocado das Escrituras, ou um uso iníquo, maligno como o próprio
maligno usou ao tentar Jesus, e esse uso, muito frequentemente, busca
fortalecer uma fé cujo fundamento é areia e não a Rocha levando pessoas
incautas a se valer de promessa das Escrituras que diziam respeito a pessoas
específicas ou a Israel ou a outros povos em circunstâncias específicas,
exclusivas.
Devemos
compreender que as promessas de Deus registradas nas Escrituras, muitas que já
se cumpriram nos ensinam sobre princípios que regem o caráter de Deus, como por
exemplo: sua fidelidade, poder e soberania para cumprir o que efetivamente
promete. E os princípios sobre os quais Deus age, esses são imutáveis como Ele
é imutável.
Fica
evidente que grande parte das promessas não dizem respeito a Igreja mas estavam
circunscritas a evolução da história contexto preparatório ao surgimento da
Igreja, povo de Deus, herdeiros da fé de Abraão, sua descendência espiritual
(em número como as estrelas do céu e como os grãos de areia da praia) a ele
prometida. Para essa descendência estão escritas várias promessas coletivas e
individuais muitas já historicamente cumpridas e algumas cujo cumprimento
esperamos.
Precisamos
aprender a distinguir promessas cumpridas como conteúdos de princípios que,
esses dizem respeito a nós: “O Senhor te porá por cabeça e não por cauda; e só
estarás em cima e não em baixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor, teu
Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir” Deuteronômio 28:13
Levantemos então
algumas questões pertinentes:
• O diácono
Estêvão morto por apedrejamento era desobediente aos mandamentos, estava por
cima ou por baixo, era cauda ou cabeça?
• Os
apóstolos Pedro e Paulo martirizados no final do seu ministério e a Igreja
dizimada pelo imperador Nero eram cabeça ou cauda, estavam por cima ou por
baixo, eram desobedientes aos mandamentos?
• Mais
recentemente no século XIV, Jonh Huss queimado vivo em uma fogueira era cabeça
ou cauda, estava por cima ou por baixo?
• Conforme
dados levantados pelo Pr. James Kennedy, cerca de 40 milhões de pessoas
martirizadas ao longo da história da igreja do Senhor Jesus eram cauda ou
cabeça, estavam por cima ou por baixo, foram desobedientes aos mandamentos?
Teria então
Deus falhado na sua promessa para com os obedientes filhos da fé de Abraão?
A falta de
estudo sério e comprometido da Bíblia é a razão porque muitas pessoas cedem
facilmente ao ensino falso de que os salvos por Jesus não sofrem, não passam
privações e em tudo são vitoriosas materialmente, sempre cabeça e não cauda,
sempre por cima e não por baixo.
O verso 13
de Deuteronômio 28 nos ensina o resultado de andar com Deus e ser perfeito em
razão do amor a Deus e na esperança da vida que há de vir prefigurada pela
caminhada de Israel no deserto e pela vida que deveria viver sob bênção na
terra da promessa. Várias outras promessas nos revelam a fidelidade
incondicional de Deus e as promessas que dizem respeito a esta vida sempre nos
ensinam obediência também incondicional tendo como resultante a provisão necessária
tal como em Mateus 6:33.
O mandamento
de Jesus dado após enfatizar o cuidado de Deus, tem como consequência natural a
provisão: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça” ...
(mandamento) “e as demais coisas vos serão acrescentadas” (provisão). Há que
haver esforço de conhecimento e de busca. O que é o Reino de Deus, o que é a
sua justiça a serem buscados?
A priori
duas coisas interessantes nos chama a atenção em relação ao Reino de Deus; a
primeira delas é a certeza de que esse reino não é deste mundo (João 18:36) e a
outra é que o reino não é comida e nem bebida mas “gozo, paz e alegria no
Espírito Santo” Romanos 14:17. Outra coisa tem a ver com a justiça do reino
cujo termo “justiça” no sentido original vai além da questão legal como conhecemos
em nossa cultura, mas com o ordenamento de todas as coisas, tanto valores
morais, como equilíbrio das forças da natureza, preservação da vida, etc.
Buscar o
reino de Deus e a sua justiça significa viver a piedade cristã e essa vivência
permite experimentar o seu conteúdo que são duas promessas: uma para esta vida
(“se alguém me ama guardará a minha palavra e Eu e o Pai viremos a ele e nele
faremos morada” João. 14:23; João 14:16-18), e outra promessa para a vida que
há de vir: “vou preparar-vos lugar. Virei outra vez e vos levarei para Mim
mesmo, para que onde Eu estiver vocês estejam também” João14:1. É assim que o
apóstolo Paulo escreveu ao pastor Timóteo (I Timóteo 4:8). Portanto, da parte
de Deus essas são as promessas essenciais e indispensáveis.

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