PAIS SEM
CULPA
“Ensina
a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho, não se
desviará dele.” (Provérbios 22.6).
Sabemos que a
melhor forma de educarmos os nossos filhos é sendo exemplo, é fazendo o discurso
com a nossa própria vida. No entanto, o nosso correto procedimento não nos
garante que eles trilharão o caminho certo, sem desvios. Temos como exemplo o
próprio Salomão, que apesar de haver nos admoestado dizendo: “Ouça,
meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe. Eles
serão um enfeite para a sua cabeça, um adorno para o seu pescoço,"
(Provérbios 1.8,9) o rei escolheu amar muitas mulheres e, quando na sua
velhice, elas o induziram a voltar-se para outros deuses, assim o seu coração
já não era totalmente dedicado ao Senhor, como foi o de Davi, seu pai. (1 Reis
11.4).
“Parafraseando”
o versículo citado no cabeçalho se sentencia o clichê: “Pais que levam seus
filhos para a igreja, não os visitam na prisão”. É sabido que os cárceres estão
lotados de Paulos, de Pedros, de Elias, de Moisés, de Esters, de Rutes, de
Déboras, de uma lista interminável de “figuras bíblicas” que foram regadas com
lágrimas em profundas intercessões por pais cristãos exemplares. Outros, filhos
de pais pseudocristãos. Outros, ainda, filhos de pais cristãos negligentes. Mas
os resultados nem sempre mudam. Vejamos o exemplo dos filhos de um grande
sacerdote: Samuel, ao despedir-se de Israel que exigira um rei, protestou: “O
Senhor é testemunha diante de vocês, como também o seu ungido é hoje
testemunha, de que vocês não encontraram culpa alguma em minhas mãos.” (1 Samuel
12.5) No entanto, os filhos do sacerdote não procederam à exemplo do
seu pai, antes, tornaram-se gananciosos, aceitavam subornos e pervertiam a justiça.
1Samuel 8.3b).
Com certeza o
rei Salomão ainda era bem jovem quando escreveu o provérbio citado. Ainda
estava no ardor do temor ao Senhor, comprometido com a sabedoria, e talvez
houvesse testemunhado comportamentos segundo a sua afirmação e no seu coração
guardava o desejo de seguir com integridade ao Senhor até o final da sua vida.
Cruzamos
tantas vezes com famílias que apesar de não conhecer ao Senhor, educaram seus
filhos com sabedoria, imprimindo neles uma acentuada coerência moral, formando
assim, caracteres dignos. No entanto, foi necessário que tais filhos quisessem
assimilar os ensinamentos.
Encontramos
também pais em grande aflição perguntando-se onde erraram ou se estão sendo
castigados. Ora, é necessário entendermos que nossos filhos fazem suas próprias
escolhas e muitos se deixam aliciar por maus companheiros tapando os ouvidos e
fechando os olhos para toda e qualquer tentativa que os pais se empenhem em
usar para o bem deles, restando aos pais apenas a esperança de que ainda que
seja pela dor, eles entendam que “Há caminho que parece certo ao homem, mas
no final conduz à morte.” (Provérbios 14.12).
Portanto,
pais, não se culpem pelas escolhas erradas dos seus filhos. Não tentem tampouco
projetar através deles seus sonhos frustrados.
Como tão belamente nos aconselha Khalil Gibran: “deixem que como flechas
eles percorram os seus próprios caminhos, lembrando que somos o arco do qual nossos
filhos são arremessados”.
Por Guiomar Barba

Um comentário:
Olá, Guiomar.
Feliz 2016!
Deve ser mesmo muito triste e frustrante para um pai/mãe ver o(a) filho(a) preso numa cadeia. Mas, realmente, não considero producente o genitor ficar se culpando pelo fracasso moral de seu descendente querendo saber "onde foi que eu errei". Os maus exemplos ou as omissões paternas podem influenciar o filho, mas não seriam jamais causas exclusivas. Até porque existem filhos de bandidos que não seguem o caminho dos pais e o livro de Reis, na Bíblia, ilustra bem quando fala dos monarcas de Judá que resolveram andar nos passos exemplares de Davi enquanto outros não. Todavia, considerando a nossa falível natureza, potencialmente capaz de reincidir nos mesmos erros do passado, devemos buscar promover a recuperação ética do indivíduo não importa em que situação a pessoa esteja. Sem nos iludirmos com a perfeição da espécie, importa que busquemos promover o seu bem.
Abraços fraternos.
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