Nunca a Bíblia, nem o cristianismo, nem a igreja evangélica foram tão
criticados, questionados e escarnecidos, como nos dias atuais. Por outro lado,
nunca houve êxodo tão constante e com tanta multiplicidade, das igrejas, como
nos dias atuais.
Porque as doutrinas elaboradas por homens, conforme os seus interesses
próprios, se somaram em detrimento das inúmeras ovelhas carentes da sã
doutrina, de mensagens que lhes responda aos anseios do espírito. Cansadas e
famintas essas ovelhas, que não pensam em utilizar o tempo buscando por si só
as revelações do Espírito Santo e a comunhão com o Pai, ignoram que, como diz
Paulo: Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de
todos os céus, para cumprir todas as coisas.
E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros
para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para
edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade
da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da
estatura completa de Cristo,"(Efésios 4.9-13).
Portanto, enquanto se
deslocam de um lado para outro, famintos, sem discernimento, estarão a mercê de
falsos mestres. E estes, na ânsia de poder e riquezas, criam todo tipo de invenções,
para satisfazer suas ambições. Ao inverso do que admoesta o apóstolo Paulo,
tais ovelhas continuarão como "meninos inconstantes, levados em roda por “todo o vento de
doutrina”, pelo engano dos homens que com astúcia enganam
fraudulosamente."(4.14).
São estas ovelhas também responsáveis, portanto, pelo alimento dos
comerciantes da fé, dos judaizantes, dos “teatrólogos”, dos inventores de novas
doutrinas, com o prejuízo de não crescerem em Cristo, que é o cabeça. “Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as
juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para
sua edificação em amor”. (Efésios 4:16).
Por este motivo, tantas ovelhas
estão amarguradas, apostatando da fé, afastadas do convívio com a irmandade,
cheias de revolta contra Deus, como se Ele fosse responsável por suas escolhas
espirituais. Muitas odiando as igrejas, pondo-as todas em um mesmo barco.
Trago aqui, para o nosso crescimento, um comentário feito pelo Dr. Rodrigo Luz, no blog Logos
& Mytos:
“Sem querer que nos percamos
debatendo a história do cristianismo já que temos aí preocupações bem práticas
na atualidade, mesmo assim vejo uma razão bem interessante para examinar o NT.
Observe, que todos os evangelhos mencionam Jesus frequentando as sinagogas de
sua época, indo a Jerusalém nas festas do seu povo e não se omitindo diante dos
equívocos cometidos pelos líderes do judaísmo (sacerdotes e fariseus).
Possivelmente ele até viesse de uma família de fariseus e tinha até uma
identificação doutrinária com esta facção no que diz respeito à crença na
ressurreição. Porém, foi capaz de divergir das práticas hipócritas dos
religiosos a ponto de sofrer perseguições.
Em algum momento Jesus disse
"não sou mais judeu e não quero nada mais com a sinagoga"? De jeito
nenhum! Antes ele recebeu os convites para ir na casa dos fariseus e entrou nas
sinagogas deles para pregar e curar os enfermos. E levou chumbo grosso por
causa do seu amor pelas "ovelhas perdidas da casa de Israel"
desprezadas pelos religiosos.
[...] Por exemplo, veja como
Francisco de Assis suportou as perseguições na Idade Média pela causa dos
pobres. E, na América Latina, como que os grupos da Teologia da Libertação
conseguiram resistir apesar do "cale-se" da cúpula romana e dos
governos militares passados?
E o protestantismo? Lutero,
Calvino e os ingleses não saíram de uma igreja para fundarem outras? Por acaso
conseguiram romper com o sistema do qual faziam parte? Pois eu digo que os
evangélicos são meros católicos apostólicos protestantes. Só não se sujeitam ao
patriarcado de Roma!
Por essas e outras, acho difícil
que a Igreja consiga ficar totalmente livre da igreja. Isto me lembra a
parábola do joio e do trigo contada por Jesus. E, enquanto a igreja será sempre
esse edifício em ruínas, a Igreja (com "i" maiúsculo) não deixará de
existir como o novo, o corpo de Cristo agindo na Terra.
Paz”
Ou seja: a igreja invisível de
Cristo não conseguirá ficar livre da igreja que está semeada de joio. Esta
igreja invisível, só é conhecida por Jesus. É exatamente dela que Paulo fala:
“Vós,
maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo
se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água,
pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem
ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. (Efésios 5:25-27).
Por Guiomar
Barba.

7 comentários:
Boa noite, Guiomar!
Sinto-me honrado em saber que meus comentários lá no blogue da confraria teológica estejam sendo usados por por você para a edificação do Corpo de Cristo.
"Cansadas e famintas essas ovelhas, que não pensam em utilizar o tempo buscando por si só as revelações do Espírito Santo e a comunhão com o Pai" (Guiomar)
Este é um problema que afeta grande parte da Igreja e revela a imaturidade espiritual de muitos. Enquanto as pessoas querem achar a resposta fora delas mesmas, ao invés de escutarem a voz do Espírito em seu interior, mais elas se distanciam da Fonte de Águas Vivas. Ainda assim, valorizo as buscas. Pior mesmo é quando a ovelha se torna apática e perde a fome. Um estado de saúde que me faz lembrar desta passagem de um dito de Jesus nos Evangelhos:
"Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamos lamentações, e não pranteastes." (Mt 11:17 e Lc 7:32)
Assistimos nessas multidões que participam de uma Marcha para Jesus (pra Jesus?) em que tudo aquilo mais parece uma balada, outros se encontram ali porque se sentem obrigados pois fulaninho(a) também foi ao evento e passa pelo senso crítico de poucos que há líderes tirando proveito do número de pessoas presentes tendo em vista suas finalidades politiqueiras diante das autoridades. E coisas semelhantes tenho a dizer das procissões católicas cheias de idolatria em que padres alimentam a ignorância popular.
Enquanto isso, a verdadeira comunhão entre os irmãos se esfria, os problemas sociais da nação ficam esquecidos, falta esclarecimento nas mentes, o povo de Deus deixa de ter um comportamento mais apropriado, deixa-se de lado a devida valorização da família (e da família da fé) e não há uma real promoção da saúde do corpo e da mente. Por outro lado, irmã, fico feliz com essa abundância de críticas, exceto com aquelas que são vazias e sem propósito construtivo, pois, de alguma maneira, demonstram que exste uma real preocupação do povo de Deus. É quando a Igreja (com "i" maiúsculo") questiona a igreja.
Rodrigão, de igual modo sinto-me honrada em ter você comentando minhas postagens. Gosto da sua postura diante da igreja de Cristo, da sua firmeza e capacidade de discernir o meio evangélico.
Esta para mim, é uma questão básica, as pessoas precisam buscarem experiências com o Espírito Santo, para terem suas próprias convicções e estas, inabaláveis.
O que tenho percebido é que boa parte dos críticos estão estagnados com relação a igreja. Se eu vejo o problema tenho que buscar soluções.
Eu não vejo essa perseguição toda, não. O que eu vejo é uma decadência do cristianismo clássico em responder às perguntas que a mentalidade pós-moderna faz.
Nessa incapacidade de responder tais questões, restou ao cristianismo virar religião de consumo, pílula de autoajuda na busca de uma "felicidade vencedora" a todo custo.
Muitos dos que saíram do aprisco evangélico não foi por causa de falta de sã doutrina (que seria a doutrina ortodoxa cristã), e sim, a uma radicalização dessa doutrina, que em última instância, não passa de moralismo decadente.
O cristianismo original que veio dos primeiros apóstolos acabou com Constantino e Jesus, judeu, nunca foi cristão.
Desde há muito matuto que o cristianismo sofre de uma crise de identidade que ele mesmo não tem consciência que tem.
Oi Guiomar,
Não penso que as convicções devam se tornar "inabaláveis" sob o ponto de vista de nos enrijecermos. Até porque a obra do Espírito inclui a quebra de conceitos e de paradigmas. Veja a experiência de Pedro quando teve a visão dos animais imundos quando foi orar estando na casa de Simão, o curtidor. Ele, um pescador (profissão tida como imunda para os judeus de estirpe sacerdotal por causa da separação pelo toque em cadáver dos peixes puros dos impuros), estando hospedado na casa de um curtidor de couro (outra profissão imunda para tal grupo) precisaria então dar um passo além de suas convicções ainda bem limitadas: entrar na casa de um gentio e anunciar as Boas Novas de Cristo.
No entanto, entendo o que quis dizer. A firmeza quanto às convicções se reflete e no foco da causa da causa que abraçamos ao invés da inconstância de ações.
O que vejo em muitos críticos da Igreja (não em todos) é que eles acabam mesmo não fazendo mais nada. Perdem a consciência de que precisam lutar por ela propositivamente para que a comunidade caminhe na direção do Espírito. Mas aí pergunto se sempre quando alguém critica a Igreja tal pessoa estará sendo movida pelo Espírito ou a sua atitude não seria mais uma troca da verdade pela mentira sendo, portando, uma fuga de si próprio? Até que ponto quem se proclama crítico da Igreja não está vivendo sua fantasia intelectual?! Difícil é para nós julgarmos até porque nem sempre os julgamentos nos pertencem.
Aproveitando o que Eduardo colocou acima, será então destino do cristianismo "virar religião de consumo, pílula de autoajuda na busca de uma 'felicidade vencedora' a todo custo"? Deixaremos isto acontecer e não pregaremos o Evangelho que, nestas horas, deve ser dirigido aos próprios cristãos que já andam esquecidos da mensagem simples de Jesus?
Tenho pra mim que o cristianismo apostólico não morreu com Constantino como colocou o Edu. Porque quando cremos no mover do Espírito, a essência daquilo que Pedro, João e Paulo viveram permanece conosco. Pois o Espírito Santo é o nosso Ajudador. Ele nos guia a toda a verdade e, assim, não devemos ter medo de abrir as nossas bocas para profetizar e dizer para o mundo, reis e igrejas o que eles precisam ouvir. A Palavra não está morta!
Abraços.
Quando falo de convicções inabaláveis, falo daquelas experiências vivenciadas através do Espírito Santo, que nos deixam a convicção de que estamos caminhando com Deus,que Ele existe e que devemos prosseguir, como diz o profeta Oséias, em conhcêLO.
Paulo escrevendo a Timóteo, adverte-o: "Como te roguei, quando parti para a macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns, que não ensinem outra doutrina,Nem se dêem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço agora.
Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.Do que, desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas;Querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam.
1 Timóteo 1:3-7
As coisas do Espírito de discernem pelo Espírito.
1.Edu, nas faculdades, na mídia, na internet e em tantos outros âmbitos, os evangélicos, pastores, igrejas têm sido denegridos, escarnecidos, por muitas pessoas que já pertenceram a alguma igreja ou por pessoas que opinam, apenas sobre o que ouvem. Isto é inegável, você poderá está informado desta verdade, de acordo com o número e diversificação de relacionamentos.
As perguntas sem respostas, sempre existiram, quantas vezes Jesus foi interrogado e ficou mudo ou respondeu segundo o coração das pessoas que perguntavam. Por outro lado, os autores bíblicos escreveram os fatos, sem se prenderem a explicações.
2.Você radicaliza quando diz: “restou ao cristianismo virar religião de consumo, pílula de autoajuda na busca de uma "felicidade vencedora" a todo custo” Como se não existissem cristãos de um saber invejável, cristãos autênticos que sabem a quem seguem. Nem todos são membros da IURD e das suas crias...
3.Se a doutrina de Cristo, foi radicalizada, segundo interesses de homens, ela deixou de ser sã Com certeza, as ovelhas que realmente são sinceras e desejam beber de fontes não corrompidas, saem em demanda de água salutar.
4.Jesus judeu, nunca foi cristão, Ele era o próprio Cristo. O cristianismo aprendido pelos apóstolos de Jesus, jamais acabou, porque o Espírito Santo, conforme prometeu Jesus, continua nos ensinando todas as coisas necessárias, ao nosso caminhar com Deus.
5.O cristianismo sofre desde tempos remotos, uma crise de identidade, com certeza. Enquanto homens estiverem lutando para serem estrelas, estiverem distorcendo a palavra da verdade, buscando enriquecimento ilícito através da fé dos incautos, politicando, o cristianismo vai continuar sofrendo. Mas os verdadeiros cristãos não serão confundidos, porque buscaram a verdade, à luz do Espírito Santo.
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